Política

Criação de nova secretaria e economia do RS devem estar no foco da Assembleia nesta semana

Lideranças da assembleia se reúnem para debater projetos enviados pelo Executivo

Lideranças debatem prioridade de votação de projetos enviados pelo governador para a AL-RS
Lideranças debatem prioridade de votação de projetos enviados pelo governador para a AL-RS Foto : Gustavo Mansur / Secom RS / CP

Lideranças da base governista, da oposição à esquerda e à direita vão se reunir nesta segunda-feira (22) para tratar de uma série de propostas do Executivo que precisam do aval do Legislativo. Entre as proposições, está o projeto de lei complementar (PLC) de criação da Secretaria de Proteção e Defesa Civil, anunciado durante evento do Plano Rio Grande, em março deste ano. Na justificativa do PLC, que foi enviado em regime de urgência para a Assembleia Legislativa (ALRS), o governo coloca a necessidade da criação da pasta como uma resposta aos eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes no Rio Grande do Sul, exigindo respostas ágeis e equipe com capacidade técnica especializada.

O Correio do Povo contatou o líder da base governista na ALRS, Frederico Antunes (PSD), para falar sobre o projeto e a perspectiva de votação. O deputado evitou comentar e sua assessoria do parlamentar reforçou que os projetos a serem votados nos próximos dias serão debatidos na reunião de líderes, que ocorre nesta segunda-feira (22).

O deputado estadual Miguel Rossetto (PT), líder da oposição à esquerda na assembleia, indicou voto favorável da ala e salientou que a criação da pasta é uma demanda presente desde as enchentes de setembro de 2023 no Vale do Taquari. “Hoje, a Defesa Civil é subordinada à Casa Militar, e, mesmo profissionais muito aptos e qualificados, precisamos de uma estrutura forte e regionalizada. Uma pena que é um projeto que chega atrasado e no fim de um governo”, apontou.

Governo do RS propõe adesão ao regime emergencial para estabilizar preço do óleo diesel

Em meio aos conflitos geopolíticos recentes, o preço do petróleo e seus derivados tem oscilado. Numa tentativa de conter os efeitos dessa volatilidade na economia local, também foi enviado em regime de urgência à ALRS o PLC 203/2026. A proposta pede autorização para que o Estado integre o Regime Emergencial de Abastecimento Interno de Combustíveis, estabelecido pela Medida Provisória nº 1.349, de 7 de abril de 2026. A MP serve como uma ferramenta de cooperação com o governo federal para conter a escalada dos preços de combustíveis, focando no óleo diesel.

Na prática, o programa propõe uma partilha de despesas entre a União e os Estados que utilizarem voluntariamente o mecanismo. Ao aderir, o RS autoriza que o valor correspondente à sua parte no subsídio do combustível seja retirado do Fundo de Participação dos Estados (FPE), que é uma transferência contínua do governo federal para os Estados, funcionando como um equalizador da capacidade fiscal.

A maior especificidade da proposta enviada pelo governador é a suspensão das vedações e sanções da lei complementar estadual 14.836/2016, que é um dos mecanismos de gestão de finanças públicas presentes na legislação gaúcha. Caso seja aprovada, a adesão do Estado pode valer de forma retroativa, contando desde o dia em que a MP federal foi publicada, em abril deste ano.

Estado busca empréstimo de US$ 120 milhões para investir em gestão fiscal e tributária

Outro projeto que será debatido na reunião é o PL 202/2026, que solicita autorização para contratação de operação de crédito externo junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). O texto do PL prevê a captação de até US$ 120 milhões, com uma contrapartida de US$ 12 milhões do próprio Estado, para financiar o Projeto de Modernização da Gestão Fiscal do Estado do Rio Grande do Sul, o chamado Profisco III-RS.

Caso seja aprovado, o projeto atual atua como uma continuação direta das ações implementadas nas fases anteriores do programa, o Profisco I e II, com um escopo ampliado. Através da primeira etapa, foi implantado o Sistema Público de Escrituração Digital (SPED), que incluiu a implementação da Nota Fiscal Eletrônica (NF-e). No Profisco II, o foco esteve o aprimoramento da inteligência fiscal, da simplificação das obrigações tributárias, buscando impactar na melhoria da competitividade e do ambiente de negócios.

Rossetto indicou que o projeto terá voto favorável da ala de esquerda. “É um projeto que já vem de anos e entendemos que tem dado bons resultados, além de ser algo muito necessário neste momento de mudança trazido pela reforma tributária”, comentou.