Após o anúncio da volta do Ministério da Cultura (MinC), nomes ligados ao setor ouvidos pelo Estado questionam qual política será adotada pela pasta. "Aparentemente, é positivo que volte o MinC, mas um ministério, assim como um órgão de um corpo, faz parte de uma política de governo. Antes de celebrarmos a volta do Ministério da Cultura, precisamos saber que Minc será esse?", indaga a cineasta Anna Muylaert.
A ex-secretária de Economia Criativa do MinC Cláudia Leite, que recusou convite para a então Secretaria Nacional de Cultura, faz questionamento semelhante. "Tenho certeza de que a decisão veio depois das mobilizações, você viu ontem (sexta) Erasmo Carlos e Caetano Veloso juntos, cantando em uma ocupação (Palácio Capanema, no Rio). A pergunta agora é: que lugar esse ministério vai ter no Brasil? Com a Dilma era um MinC à míngua. As pessoas precisam continuar nas ruas."
Para a produtora Paula Lavigne, a extinção e ressurreição do MinC "mostrou o quanto as coisas estão erradas, como a discussão está rasa". "As pessoas acham que os músicos estão brigando por shows, por palcos. Estou chocada de saber como há reacionários no País, pessoas que nos chamam de vagabundos."
Já a artista plástica Laura Erber, o debate a ser feito vai além do ministério e trata da legitimidade do governo atual. "Nas reuniões e assembleias nas sedes da Funarte (Fundação Nacional de Arte) ocupadas ficou muito claro e explícito que não haveria negociação pela volta do MinC com o governo interino. O objetivo do movimento é a queda de Temer."
Investigação
Em outra frente, deputados do DEM - partido que havia sido contemplado com a fusão das pastas de Educação e Cultura - de perfil conservador anunciaram que tentarão criar CPIs para investigar o setor. "A partir do dia 23, estarei coletando assinaturas para a CPI do Ministério da Cultura. Vamos ver o que tem por trás desses artistas patriotas!", disse o deputado Alberto Fraga (DEM-DF), integrante da chamada bancada da bala, no Twitter.
O deputado Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ), da bancada religiosa, afirmou que vai colher assinaturas para uma CPMI da Lei Rouanet. "Uma meia dúzia de artistas milionários, que mora na Zona Sul e Barra (da Tijuca), aqui no Rio de Janeiro, vai Brasil afora, mundo afora com cartaz reclamando", criticou.
Cultura comemora, mas questiona política a ser adotada por titular
DEM anunciou que tentará criar CPIs para investigar pasta