Política

Cunha cria comissão para tratar reforma tributária

Segundo ato da presidência, comissão será composta por 27 membros titulares

Cunha cria comissão para tratar reforma tributária
Cunha cria comissão para tratar reforma tributária Foto : Luis Macedo / Agência Câmara / CP Memória
Em pleno recesso parlamentar, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PDMB-RJ), criou na quarta-feira, uma comissão especial destinada a analisar e formular proposições relacionadas à reforma tributária.

Na semana passada, Eduardo Cunha rompeu com o governo e se disse na oposição após o lobista Julio Camargo tê-lo acusado, em depoimento, de exigir US$ 5 milhões de propina por contratos da Petrobrás. Segundo o ato da presidência, a comissão será composta por 27 membros titulares e pela mesma quantidade de suplentes e terá 30 dias de funcionamento, a partir de sua instalação.

Os líderes partidários só devem indicar seus representantes na comissão em agosto, quando voltarem do recesso parlamentar. Assim como a reforma política, a apreciação da reforma tributária foi promessa de Cunha em sua campanha pela presidência da Casa, no início deste ano.

A reforma política, que, na verdade, trata-se mais de uma reforma eleitoral, está praticamente concluída. Restam apenas algumas emendas que serão votadas na volta do recesso.

"Recesso branco" A criação da comissão ocorre porque o Congresso está, formalmente, em funcionamento normal, já que a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) ainda não foi votada, como exige a legislação. Ainda assim, os parlamentares decidiram tirar folga este mês, chamada de "recesso branco", e só retornam ao trabalho em agosto.

O presidente da Câmara dos Deputados critcou o corte do governo de 86,73% da meta fiscal prometida para este ano. Para o peemedebista, recém-rompido com o Palácio do Planalto, o agravamento da crise e a falta de clareza do governo sobre "o que quer da política econômica" ameaçam o grau de investimento do País. "Estamos correndo risco grave de perder o grau de investimento. O risco nunca esteve tão grave como está agora", avaliou.

Ontem, o governo anunciou a redução da meta de superávit primário de 1,13% (R$ 66,3 bilhões) para apenas 0,15% (R$ 8,74 bilhões) e fez mais um corte de R$ 8,6 bilhões nas despesas. Pouco antes do anúncio, Cunha disse que foi procurado pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, que o comunicou da medida.