Política

Cunha descarta renúncia e afirma que não haverá retaliação

Presidente da Câmara deu coletiva sobre denúncias do procurador da República

Cunha descarta renúncia e afirma que não haverá retaliação
Cunha descarta renúncia e afirma que não haverá retaliação Foto : Marcelo Camargo / Agência Brasil / CP Memória
Um dia depois de ser denunciado pelo Ministério Público Federal por corrupção e lavagem de dinheiro, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), reafirmou inocência e descartou, nesta sexta-feira, a possibilidade de renunciar ao cargo. "Renúncia não faz parte do meu vocabulário e não fará", disse o peemdebista, que participa de um evento organizado pela Força Sindical em São Paulo.

Ao afirmar que "não há a menor possibilidade" de antecipar o a saída do mandato na Câmara, que se encerra em 2016, Cunha disse que não vai usar o cargo para retaliar adversários. "Não vou retaliar quem quer que seja nem tampouco vou abrir mão de direitos e deveres", disse. "Estou absolutamente sereno e nada vai mudar minha forma de atuar", completou.

Presidente da Câmara ainda tranquilizou seus seguidores. "Não se preocupem, os meus advogados vão tratar das acusações. Faz parte da nossa rotina chamar a sociedade para o diálogo e foi por isso que eu fui eleito presidente da Câmara", afirmou. E se disse "absolutamente inocente" das acusações de receber propinas para facilitar a contratação de empresas para a construção de navios-sonda da Petrobras, feitas formalmente nesta quinta pelo Ministério Público Federal. "Não há nenhuma prova contra mim nessas denúncias". E repetiu que considera "estranho" que seja ele o primeiro denunciado pela PGR, uma vez que há pelo menos 53 parlamentares investigados pela Operação Lava Jato.

O presidente da Câmara está em São Paulo nesta sexta para participar de um evento organizado pela Força Sindical. Controlada pelo deputado Paulinho da Força (SDD-SP), um dos mais fiéis aliados de Cunha, a Força transformou o evento em um ato de desagravo a favor do peemedebista. Cunha foi aplaudido diversas vezes enquanto falava.

Ao chegar à sede do sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, o peemdebista foi recebido com gritos de "Cunha é meu amigo, mexeu com ele mexeu comigo" por trabalhadores ligados à Força. O local também foi decorado com faixas falando de pautas trabalhistas e também exaltando Cunha, associando-o à defesa dos trabalhadores.

Denúncias

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, enviou nesta quinta-feira ao Supremo Tribunal Federal (STF) denúncia contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e contra o senador Fernando Collor por corrupção e lavagem de dinheiro no esquema de corrupção na Petrobras. Cunha é acusado de ter recebido propina de um contrato de aluguel de um navio-plataforma das empresas Samsung Heavy Industries e Mitsui com a Petrobras. O fato foi relatado por ao menos dois delatores da Lava Jato, o doleiro Alberto Youssef e o lobista Júlio Camargo. Collor é suspeito de receber R$ 26 milhões em propinas, entre 2010 e 2014, desviados da estatal petrolífera. Esses recursos teriam sido usados para a compra de carros de luxo, apreendidos no mês passado pela Polícia Federal.