O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, afirmou nesta quinta-feira que há fatos de natureza grave na reportagem da Revista IstoÉ - que traz trechos da suposta delação premiada do senador Delcídio Amaral. Cunha declarou que gostaria de assistir ao discurso do PT e pregou coerência nas críticas e defesas feitas pelo partido. "O PT não é coerente. Ele só é coerente pra se defender. Agora para atacar os outros, usa o mesmo argumento para se defender. Não vale”, afirmou.
“Achei engraçado o PT falar de delação premiada. Delação premiada nos olhos dos outros é pimenta, nos deles é refresco”, ironizou. Na matéria, Delcídio teria citado o ex-presidente Lula e acusado a presidente Dilma Rousseff de interferir na Operação Lava Jato.
O vice-líder do PT, deputado Henrique Fontana (RS), afirmou, por sua vez, que é preciso a confirmação das supostas denúncias de Delcídio, mas espera que as investigações atinjam todos.
O presidente relativizou a postura de alguns parlamentares que novamente pediram em Plenário seu afastamento do cargo. Para ele, esse tipo de comportamento faz parte do jogo democrático. “Todos aqueles que estão se manifestando oficialmente em função disso são os mesmo que não me apoiaram, que não votaram em mim. Isso é do jogo político e cada um tem o direito de se manifestar democraticamente como queira. Minha posição não altera um milímetro por conta disso”, garantiu. “Não estou preocupado com isso. Efetivamente, eu tenho o exercício da função e eu a continuarei exercendo”.
Segundo Cunha, desde que o inquérito foi instaurado, em março de 2015, diversos deputados vem dizendo que ele não tem mais condição de presidir a Casa. “Cada fato novo que acontece eles fazem o mesmo discurso.” Ele ainda comentou a possibilidade de o Supremo julgar em breve o pedido do procurador-geral da República ao STF, no qual Rodrigo Janot pede o seu afastamento da presidência da Câmara. Para Eduardo Cunha, o pedido de afastamento é juridicamente, constitucionalmente e regimentalmente “um absurdo”.
“O próprio Supremo já afastou 70% das imputações contra mim que tinham por base a denúncia de que eu teria participado do suposto esquema de corrupção da Petrobras”, disse, comentando o voto apresentado ontem pelo relator da Lava Jato no STF, ministro Teori Zavaski.
Cunha exige "coerência" do PT após suposta delação premiada de Delcídio
Presidente da Câmara reforçou que seu afastamento seria um absurdo constitucional