O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), negou na tarde desta quarta-feira que tenha conversado com o vice-presidente Michel Temer e com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), sobre pedido de saída do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, do cargo. A declaração foi dada ao chegar à Câmara, após encontro com os outros dois peemedebistas no início desta tarde no Palácio do Jaburu, residência oficial do vice-presidente.
De acordo com informações de bastidores publicadas pela imprensa, Cunha estaria negociando com o Palácio do Planalto e lideranças do governo na Câmara para que Temer assuma o Ministério da Justiça no lugar de Cardozo. Esse seria um dos pontos da negociação do peemedebista para tentar salvar seu mandato de deputado. Em troca, Eduardo Cunha se comprometeria a não deferir qualquer pedido de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff na Casa.
O presidente da Câmara chegou por volta das 13h ao Palácio do Jaburu, onde almoçou com Michel Temer. Já o presidente do Senado só chegou ao local por volta das 14h10. Os dois deixaram a residência oficial do vice-presidente por volta das 15h10. Eles não falaram com imprensa nem na chegada nem na saída. O encontro dos três peemedebistas não constava na agenda oficial deles até a tarde desta quarta. Não há informações da participação de outros políticos na reunião.
Aproximação
Apesar de Cunha negar que esteja negociando com o Planalto para garantir sua permanência no cargo, deputados governistas não escondem que há uma aproximação do Executivo com o presidente da Câmara. O condutor das conversas, dizem, seria o ministro-chefe da Casa Civil, Jaques Wagner. "Não podemos entregar Eduardo Cunha nas mãos da oposição. Tem de dialogar", justificou um aliado em condição de anonimato.
A saída de Cardozo do cargo também agradaria a boa parte da bancada do PT. Os petistas estão incomodados com as investigações contra o governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel, e com as apurações contra os governos Dilma e Lula. Eles reclamam que o ministro não tem controle sobre a Polícia Federal. Para os petistas, a PF poderia se aprofundar nas investigações envolvendo também supostas irregularidades ocorridas no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
Segundo aliados do Planalto, outro pedido do peemedebista na negociação com o Palácio do Planalto seria a intervenção do governo junto à Procuradoria Geral da República (PGR) para "segurar" as investigações contra ele.
Temer
Após o encontro, Temer evitou comentar a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que suspendeu o rito estabelecido por Cunha para o andamento do processo sobre o impeachment da presidente Dilma Rousseff. "Decisão do Supremo se cumpre", limitou-se a dizer.
Segundo o vice-presidente, o trio não discutiu o afastamento da presidente. A conversa teria girado em torno das pautas de interesse do governo no Congresso. Ele afirmou que combinou com Renan que a sessão do Congresso para votar os vetos presidenciais acontecerá somente em novembro. Na semana passada, o governo tentou por duas vezes colocá-los em votação, sem sucesso.
Temer disse ainda que Cunha se comprometeu a "agilizar" outras matérias importantes para o Palácio do Planalto, como a votação para Desvinculação de Receitas da União (DRU). O vice, porém, afirmou que outras medidas do pacote de ajuste fiscal, como a recriação da CPMF, vão ter que esperar, pois o governo ainda trabalha para reorganizar a base aliada no Congresso.
Cunha nega ter discutido saída de Cardozo em almoço com Temer e Renan
Presidente da Câmara estaria negociando com Planalto e lideranças do governo na Câmara