O ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, prometeu "contar tudo o que aconteceu no impeachment" em um eventual livro que pretende lançar. Em entrevista, após a cassação na Casa, o parlamentar creditou sua queda ao governo Temer, do qual foi aliado, num "jogo político" que envolveu ainda o seu substituto Rodrigo Maia e a bancada do PT.
"Eu errei, errei muitas vezes, mas não foram os meus erros que me levaram à cassação. O que está levando à minha cassação é a política", definiu. "Então, eu fui vítima de uma vingança perpetrada no meio do processo eleitoral”, disse Cunha, que declarou que irá buscar "recursos judiciais".
O parlamentar cassado reforçou o discurso de que virou um alvo do PT. ""Estamos vivendo um processo político em que eu, por ter dado curso ao processo de impeachment, virei o troféu para poder fomentar o discurso do golpe", apontou. "Então, é óbvio que, quando se programou um processo desse às vésperas da eleição, misturou tudo e só poderia dar no que deu."
"Isso que foi colocado foi um jogo político. Na verdade, há uma pauta em que o presidente da Casa, apoiado pelo governo, se associou ao PT e o objetivo era me cassar. E ele conseguiu entregar a mercadoria", argumentou. "Eu disse que o governo é culpado quando fez o patrocínio. Porque quem elegeu o presidente da Casa foi o governo, quem derrotou o candidato Rogério Rosso foi o governo", explicou Cunha.
Ele garantiu, contudo, que não pretende aceitar qualquer tipo de oferta de delação premiada. "Quem faz delação é criminoso", frisou. Sobre o livro, afirmou não ter conversas gravadas. "Mas tenho boa memória."
Cunha promete livro para "contar tudo que aconteceu no impeachment"
Deputado creditou cassação ao governo Temer em jogo político com Maia e o PT