Política

Cunha só "atrapalha" ao tentar interferir no ritmo do impeachment, diz Renan

Presidente do Senado fez um duro ataque ao presidente da Câmara que tenta apressar votação dos senadores

Cunha só "atrapalha" ao tentar interferir no ritmo do impeachment, diz Renan Calheiros
Cunha só "atrapalha" ao tentar interferir no ritmo do impeachment, diz Renan Calheiros Foto : Wilson Dias / Agência Brasil / CP
O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), fez na manhã desta quarta-feira um duro ataque ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), ao tentar apressar a votação pelos senadores do impeachment da presidente Dilma Rousseff.

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Na segunda-feira, um dia após os deputados aprovarem o pedido contra a presidente, Cunha foi categórico ao dizer que a Câmara não votará nada relevante até que o impeachment seja apreciado pelos senadores. "Quanto mais o presidente da Câmara tentar interferir no ritmo do andamento do processo no Senado sinceramente ele só vai atrapalhar", disse Renan. "A paralisação da Câmara não ajuda o Brasil, esse "locaute" não ajuda o Brasil, ele só atrapalha ainda mais a situação que já é muito ruim", frisou ele, na chegada a seu gabinete.

Para o peemedebista, de todos os impeachments, a autorização dada pela Câmara para que o Senado aprecie o pedido contra Dilma foi o que mais demorou. Segundo ele, isso se deveu exatamente por causa da judicialização. A decisão de Cunha de admitir o pedido foi dada no início do mês, mas a manifestação dos deputados só ocorreu no último domingo.

Renan disse que o Senado, "por mais que se queira", não pode atropelar prazos e nem deve fazer isso perante a História. Em outra cutucada à Casa comandada por Cunha, ele disse que, enquanto a Câmara votava o impeachment, o Senado apreciava uma série de projetos, entre eles a Lei de Responsabilidade das Estatais, as mudanças na exploração do pré-sal e o desaparelhamento da gestão dos fundos de pensão.

Para o peemedebista, o Senado vai "sempre" distinguir os interesses do Brasil dos interesses dos governos, que são efêmeros e passageiros. Mantendo o seu discurso de que age de forma imparcial, Renan não quis opinar sobre se o relator da comissão do impeachment, que deve ser eleito na próxima segunda-feira, deve ser de um partido neutro. Ele disse que não ficaria bem ele tentar influir ou decidir sobre a indicação de ninguém.

Eleições

O presidente do Senado sinalizou haver dificuldades políticas para uma eventual apreciação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que propõe antecipar para outubro as eleições do presidente e vice. Essa PEC foi apresentada ontem por um grupo de 27 senadores, com apoio inclusive de petistas.

Segundo Renan, é "muito difícil qualquer movimento mais brusco nesta hora" em que o Senado aprecia o pedido de impedimento de Dilma. "Qualquer coisa que aparece, sempre haverá uma leitura se ela beneficia um lado ou beneficia o outro", avaliou.