Política

Custeio de campanhas políticas divide bancada gaúcha no Congresso

Polêmica entre financiamento público ou privado segue após votação

Um dos pontos mais polêmicos da reforma política, a alteração das regras do financiamento de campanha, que foi votada na semana passada, literalmente rachou a bancada gaúcha na Câmara dos Deputados. Dos 31 parlamentares do RS, 15 votaram contra a possibilidade de as empresas continuarem a fazer doações para as campanhas eleitorais, 13 votaram a favor e três não registraram o voto.

Entre as bancadas com mais de um parlamentar, a posição contrária ao financiamento empresarial foi ponto fechado no PT e no PSB. No PDT, dois dos três deputados também votaram contra. No PMDB e no PP, o voto majoritário foi sim. José Fogaça (PMDB), Afonso Hamm (PP) e José Otávio Germano (PP), no entanto, votaram não. O PTB votou unido pelo sim.

O plenário da Câmara aprovou na quarta-feira, por 330 votos a 141 e uma abstenção, uma alteração no financiamento de campanha que permite que o sistema permaneça misto, ou seja, com doações tanto de pessoas físicas quanto jurídicas. A diferença é que as empresas só poderão doar para partidos, e não mais diretamente a candidatos. O texto aprovado (uma emenda à PEC 182/07, da Reforma Política), atribui a uma lei futura a definição de limites máximos de arrecadação e dos gastos de recursos para cada cargo eletivo.

A aprovação gerou protestos, controvérsias e troca de acusações entre parlamentares porque, um dia antes, o plenário havia rejeitado a emenda que pretendia incluir na Constituição o financiamento por parte de pessoas físicas e jurídicas para partidos e candidatos. Após a votação de terça, o presidente da Casa, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), se comprometeu, por acordo de líderes, a não levar à votação o texto principal sobre o financiamento. Mas, na quarta, Cunha decidiu colocar a emenda sobre a doação a partidos em votação, sob o argumento de que seguia o rito regimental. E avisou que, caso a emenda fosse rejeitada, o plenário votaria o texto do relator, que era semelhante ao aprovado.

Agora deputados de seis partidos tentam anular a votação no Supremo Tribunal Federal (STF), sob o argumento de que a Constituição proíbe que a mesma matéria seja votada duas vezes no mesmo ano. Após a votação de pontos como o financiamento e o sistema eleitoral, por falta de acordo, a continuidade da votação da reforma na Câmara será retomada na segunda quinzena de junho.