Os principais nomes do direito criminal estiveram reunidos no Hotel Serra Azul, em Gramado, sexta e sábado, na 3ª Jornada Internacional de Investigação Criminal. Com mais de 1,5 mil participantes, o evento debateu temas como a corrupção, lavagem de dinheiro, cooperação internacional nas investigações criminais e outros. O procurador da República Deltan Dallagnol, membro da Força Tarefa da Operação Lava Jato, palestrou na jornada no sábado.
Dallagnol revelou detalhes sobre a Operação Lava Jato. Para o procurador, o mecanismo de corrupção sistêmica implantado na Petrobras é político partidário e tem raízes históricas. O procurador estabeleceu uma relação entre o gasto de campanha e o número de votos dos candidatos. “Existe uma forte influência do poder econômico sobre o número de votos. Quem mais gastou, mais recebeu votos. Não estou afirmando que todo político é corrupto. Não estou criminalizando a política. Pelo contrário, a única solução que temos para o problema que corrói a democracia é mais democracia por meio da política. Não tem atalho”, diz.
Ao final do painel, o procurador convocou a plateia a divulgar o pacote com novas medidas de combate à corrupção. “É um pacote de 70 medidas que ataca a corrupção em 12 frentes diferentes. Foi submetido a uma ampla discussão na sociedade. Se ele for aprovado no Congresso, ele vai revolucionar a luta contra a corrupção no Brasil”, afirma.
Além de Dallagnol, a lista de palestrantes contou com os juízes federais Marcelo Bretas e Valliesney de Oliveira, os procuradores da República Carlos Fernando Dos Santos Filho e Vladimir Aras, o chefe da Divisão de Crimes Financeiros da Polícia Federal, Marcio Anselmo, o presidente do Conselho Nacional dos Chefes de Polícia Civil, delegado Emerson Wendt, o Adido do Federal Bureau of Investigation (FBI), David Brassanini, e o diretor de Comunidades Vulneráveis da Secretaria Geral na Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol) em Lyon (França), Valdecy de Urquiza Jr.
Dallagnol revela detalhes da Operação Lava Jato em seminário em Gramado
Para o procurador, o mecanismo de corrupção sistêmica na Petrobras tem raízes históricas