O embate foi marcado não somente pela apresentação de propostas dos candidatos, mas principalmente por críticas à gestão do atual prefeito e candidato à reeleição José Fortunati e por um embate entre ele e Manuela D'Ávila. “São sete candidatos, seis batem no prefeito. Não tenho tempo para responder a todos”, disse Fortunati.
Em uma resposta a Manuela, sua principal adversária, o prefeito chegou a dizer que a comunista estava “brabinha”. Na réplica, ela retrucou o acusando de “machista” e listando uma série de supostos xingamentos feitos por ele em outras ocasiões. “Uma parte que temos que mudar é esse tipo de agressão gratuita às mulheres na política”, disparou Manuela. O tema sorteado no bloco era segurança. Porém, os ânimos se exaltaram e Fortunati pediu direito de resposta. Ele retirou o adjetivo usado ao se referir a comunista, mas ressaltou que não foi uma provocação machista. “Se tem um governo que investiu nas políticas de gênero foi esse. Temos ampliado as políticas para as mulheres. O que não aceito é que se diga que chamei uma jornalista de urubu e que tenha chamado os engenheiros de vagabundos. São acusações levianas que não podem fazer parte de um debate eleitoral”, defendeu-se.
Mais cedo, Adão Villaverde também confrontou a atual gestão municipal. O petista criticou a prefeitura depois que 19 jatos de água instalados no Largo Glênio Peres, no Centro da Capital, foram acionados durante um comício do PT, na noite de quinta-feira. Fortunati defendeu-se ao ler uma nota onde afirma que a operação dos jatos não é de responsabilidade da prefeitura. “Não teria porque atacar a mobilização do PT ou de qualquer partido”, ponderou o prefeito.
A única candidata mulher a concorrer à Prefeitura de Porto Alegre também foi alvo de críticas. Érico Correa aproveitou ainda para atacar o governo federal e estadual. “A verdade é que tu apoias o governo de Jairo Jorge, que é truculento, o governo Tarso, que é mentiroso, e o governo Dilma”, disparou o candidato do PSTU. Mas a crítica não ficou restrita só a comunista. “Tenho dificuldade em exergar diferenças entre vocês. Entre Fortunati, entre o PT, o PC do B. Vocês governam juntos o País. Vocês governam juntos o Estado. Vocês são aliados”, acusou Érico em resposta a um questionamento de Villaverde.
Candidatos a prefeito de Porto Alegre se reuniram para debate na rádio Guaíba | Foto: Paulo Nunes
Casos de corrupção são lembrados pelos candidatos
O candidato do PSol foi o responsável por levantar o tema da corrupção no debate. Ao questionar Villaverde, Robaina lembrou da fraude de R$ 40 milhões no Ministério dos Esportes, quando o ministro Orlando Silva estava no comanda da pasta. Silva foi demitido pela presidente Dilma Rousseff após o escândalo. Villa responde e argumenta, em nome do PT, que não concorda com qualquer tipo conduta de corrupção.
A resposta provoca Robaina a citar o mensalão. Villaverde disse que acredita que qualquer tipo de conduta suspeita deve ser apurada. “Achei que tu ia fazer autocrítica. Afinal, o ex-presidente do PT, o tesoureiro, estão sendo condenados”, contestou o socialista. Villa pediu direito de resposta e relembrou as gestões anteriores administradas pelo PT em Porto Alegre. “Somos implacáveis em fazer com que nossas gestões sejam transparentes e que não haja desvio de conduta, corrupção. Você pode ter certeza que terei essa mesma conduta, essa história e essa trajetória”, argumentou Villaverde.
Investimento em obras da Copa é criticado
Quando o tema sorteado foi habitação, os candidatos aproveitaram para discutir as obras para a Copa do Mundo de 2014. Para Jocelin Azambuja, há muito investimento para pouco resultado. “A Copa veio para superfaturar as obras e tirar dinheiro do povo brasileiro. Esse dinheiro que podia estar sendo investido na saúde, que é vergonhosa. Depois da Copa, vamos ver o que aconteceu na África. Grandes e imensos estádios para nada, enquanto a saúde fica a mercê”, criticou.
Em tom mais ameno, Wambert di Lorenzo reconheceu que a remoção de famílias para obras na avenida Tronco, por exemplo, resolve parte do déficit de habitação na Capital. Se eleito, ele afirma que vai trabalhar a questão da moradia com o Departamento Municipal de Habitação (Demhab). “Parte dos porto-alegrenses está na vila, em situação de miséria e precariedade. Eu vou reestruturar o departamento de desfavelização do Demhab”, prometeu.