Política

Debate sobre previdência causa conflito no Piratini

Governistas reagem contra a criação da estrutura complementar para os servidores que quiserem se aposentar com salários acima do teto

O debate sobre a criação de uma previdência complementar para os servidores que quiserem se aposentar com salários acima do teto de R$ 3.689,66, proposta defendida publicamente pelo governador Tarso Genro, abriu guerra entre os integrantes do primeiro escalão do Piratini que são contrários e os favoráveis à proposta, que deve ser incluída no programa de sustentabilidade financeira.

Valter Morigi, presidente do IPE, órgão responsável pela Previdência, é radicalmente contra a criação da estrutura complementar. Ele ainda defende o prolongamento das discussões sobre o tema. "Tem um grupo que entende que o melhor é discutir o aumento da alíquota e a previdência complementar agora. Somos contra essa proposta. Há uma rejeição muito forte em relação à previdência complementar, muito maior do que o aumento da alíquota", afirmou Morigi, referindo-se às insatisfações dos servidores públicos e das próprias correntes do PT, que historicamente se posicionaram contra mudanças na previdência.

Em rota de colisão com o núcleo do governo, que simpatiza com a previdência complementar, Morigi diz que buscará o diálogo. "Queremos conversar para não defendermos algo tão antagônico com aquilo que pensamos. Estamos tentando fazer com que as pessoas nos escutem", declarou Morigi, que considera o aumento de 3% da alíquota previdenciária dos servidores que ganham acima do teto uma medida necessária, apesar de "desagradável".

Morigi, contudo, disse que respeitará a decisão final do Piratini. "Se o governo resolver encaminhar a previdência complementar, vamos assumir. Esse é o ônus de ser governo", afirmou.

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