Política

Decisão da OAB pedindo impeachment de Temer surpreendeu Planalto, diz Padilha

Ministro chefe da Casa Civil negou que jantar nesta noite seja termômetro de apoio ao governo

Decisão da OAB pedindo impeachment de Temer surpreendeu Planalto, diz Padilha
Decisão da OAB pedindo impeachment de Temer surpreendeu Planalto, diz Padilha Foto : Wilson Dias / Agência Brasil / CP
O ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, disse neste domingo, que a decisão da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de protocolar na Câmara pedido de impeachment do presidente Michel Temer, diante da gravidade das delações da JBS, surpreendeu o governo. "É algo que surpreende porque a OAB, tradicionalmente, é uma entidade que tem sido sustentáculo da institucionalidade e da legalidade no exercício do poder no Brasil", afirmou Padilha à reportagem.

Na busca de um contraponto, o Palácio do Planalto também tenta arregimentar a adesão de outras entidades favoráveis à permanência do presidente. "Temos recebido muitos telefonemas de apoio de várias organizações da sociedade civil, especialmente empresariais", disse o ministro da Casa Civil.

Embora o PSDB e DEM já estejam avaliando, nos bastidores, uma saída alternativa para a crise, com a construção de um nome de consenso para substituir Temer, caso a situação fique insustentável, Padilha afirmou que os dois partidos estão "firmes" na base aliada. Questionado sobre a decisão do PSB de romper com o governo, o chefe da Casa Civil procurou amenizar o fato. "O PSB sempre foi dividido e vai continuar dividido", respondeu ele.

A reportagem apurou que as cúpulas do PSDB e do DEM só aguardam o julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o pedido feito pela defesa de Temer, que quer a suspensão do inquérito contra ele, para decidir se os dois partidos continuam ou não dando sustentação ao governo. O advogado Antônio Cláudio Mariz de Oliveira, defensor do presidente, pede a suspensão do inquérito que investiga crimes de corrupção passiva, obstrução à investigação e organização criminosa, sob o argumento de que o áudio apresentado pelo dono da JBS, Joesley Batista, foi "fraudulento".

O ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo, decidiu enviar o áudio para perícia da Polícia Federal e o julgamento do caso pelo plenário da Corte está marcado para quarta-feira. "O mais importante é a realização da perícia, que vai mostrar que a fita foi editada e não tem credibilidade", disse Padilha.

O ministro-chefe da Casa Civil Eliseu Padilha negou que a reunião agendada para a noite deste domingo, entre o presidente Michel Temer e os líderes da base do governo seja termômetro de apoio ao governo.

"Não há receio quanto a quantidade de líderes que virão. Não tem risco de adesão baixa, porque não está marcado nada. Não tem jantar, nem solenidade. Quem estiver aqui em Brasília, vai passar pelo Palácio da Alvorada para conversar. Não tem nada programado. E, no domingo, sabemos que tem muito pouca gente na cidade", afirmou em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo.

De acordo com Padilha, confirmaram presença na reunião o líder do governo André Moura (PSC-SE), o líder do PMDB na Câmara, Baleia Rossi (PMDB-SP) e o líder do DEM Pauderney Avelino (AM). A quantidade de presentes na reunião pode indicar quais partidos ainda estão, de fato, na base do governo.

O ministro atendeu à reportagem diretamente do Palácio do Alvorada, onde estava reunido com o presidente Michel Temer e com o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Moreira Franco.

"Estamos nesse momento no Palácio do Alvorada. Nós estamos trabalhando, não se para de trabalhar. Estamos fazendo contato com toda a base para ver como a coisa está seguindo com cada partido. No fim da tarde, pedimos para que os líderes passem aqui. Eles trarão informações e nós passaremos outras para eles", disse. O ministro disse ainda que o presidente está bem e muito tranquilo.

Jantar Apesar de Padilha negar que o encontro desta noite seja um jantar programado, a reportagem teve acesso ao convite enviado pelo ministro da Secretaria de Governo, Antonio Imbassahy (PSDB-BA), aos líderes da base. O texto do convite diz que há "satisfação em convidar para participar de jantar com a presença de ministros e líderes da base aliada".

Imbassahy assumiu a mediação com as lideranças da base em uma tentativa do governo de estreitar relações com o PSDB no momento de crise. A leitura do Planalto é que, caso os tucanos deixem o governo, Temer não conseguirá se manter na presidência.

Os líderes e dirigentes do PSDB chegaram a cancelar reunião que teriam na tarde deste domingo, com lideranças do DEM para participar da reunião com o presidente.