Política

Defesa de Nogueira o considera “vítima” e diz que réu tentou impedir plano golpista

“O general acabou sendo enredado numa contumélia”, classificou o advogado da defesa

Andrew Fernandes Farias é advogado da defesa de Paulo Sérgio Nogueira
Andrew Fernandes Farias é advogado da defesa de Paulo Sérgio Nogueira Foto : Rosinei Coutinho/STF

A estratégia utilizada pela defesa do general Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro, foi semelhante a utilizada por outros réus: distanciar Nogueira dos ideias golpistas e, em especial, de Bolsonaro. O réu foi o único que acompanhou o julgamento no plenário no primeiro dia.

"A delação e o principal argumento da testemunha de acusação, o comandante da Força Aérea, Brigadeiro Batista Junior, é contundente, acachapante: falar que o general Paulo Sérgio atuou para demover o presidente de incorrer por qualquer medida de exceção", afirmou o advogado Andrew Fernandes Farias.

Para o advogado, uma das principais provas apresentadas pela acusação indica que havia uma tentativa de retirar Nogueira de dentro do governo, o que provaria que ele não tinha relação e tampouco compactuava com as conspirações.

“O general acabou sendo enredado numa contumélia”, classificou. O que, prática, significaria que Nogueira teria sido envolvido sem querer no caso.

Farias validou a afirmação no depoimento de testemunhas e da de Mauro Cid, de que Nogueira não tinha relação com os planos e que teria tentado dissuadir Bolsonaro. Utilizando-se, inclusive, do apelido de 'melancia' recebido pelo réu por integrantes do governo e apoiadores do ex-presidente.

Sobre as falas, Farias ao contrariar as provas da acusação, que incluiriam uma fala de Nogueira na famosa reunião ministerial, em que ele teria, supostamente, endossado a tentativa de golpe ao afirmar que a Comissão de Transparência Eleitoral (CTE) "era para inglês ver".

Segundo o advogado, a fala foi um desabafo ante as frustrações do ex-ministro que estava tentando, sem sucesso, realizar uma reunião com os técnicos responsáveis. O advogado rechaçou a acusação de que Nogueira, que, no comando da Defesa, teria demorado para entregar o relatório ao TSE sobre a confiabilidade do processo eleitoral.

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