O advogado do ex-diretor administrativo da Assembleia Legislativa, Ubirajara Macalão, resgatou imagens que foram arquivadas pelo Ministério Público e envolvem a fraude dos selos, desarticulada em 2007 pela Polícia Federal. De acordo com Giulio Perillo, o material foi gravado no sistema VHS e, devido à má qualidade, descartado pelas autoridades. O defensor teve acesso ao conteúdo e mandou recuperar a fita. Nas cenas, agora mais nítidas, aparecem dois homens, durante a noite, em uma suposta invasão à casa de praia de Macalão, em Rainha do Mar, no litoral Norte. A dupla usa máscaras e carrega sacos contendo, supostamente, 260 mil selos. Tudo foi enterrado ao lado de uma piscina. Meses mais tarde, a Polícia Federal recebeu uma denúncia anônima detalhando a localização dos selos.
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A fita permaneceu em posse do Ministério Público desde 2007. A intenção de Pirillo é de que as imagens, recuperadas, sirvam de prova no processo contra Macalão. Mesmo com suspeitas recaindo, à época, sobre deputados, o ex-diretor foi o principal personagem da fraude dos selos e o único acusado. Ele foi condenado a oito anos de cadeia pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, e hoje cumpre pena no regime semiaberto.
O advogado sustenta que o cliente foi vítima de armação, em uma clara tentativa de incriminá-lo. “Se houve essa invasão é uma prova de que Macalão não é responsável pelos 260 mil selos enterrados dentro da casa dele. Alguém tentou orquestrar contra ele e pediu que o vídeo fosse gravado como evidência de que a ordem foi cumprida”, justificou. Ainda não está claro quem filmou a ocultação do material.
Para o advogado, a gravação também pode explicar por que o processo administrativo que exonerou o ex-servidor foi tão rápido. “Agora tudo fica mais claro, é possível entender porque houve tanta agilidade e rapidez na responsabilização e no desligamento de meu cliente”, argumentou Perillo. O defensor também descartou a possibilidade de o próprio Macalão ter mandado enterrar os selos no pátio da casa de praia. Ele sustenta que cerca de 27 mil selos eram do início da década de 90, quando foi firmado o contrato com os Correios. Na época, Macalão não exercia função diretiva.
Os 260 mil selos descobertos pelas autoridades eram anteriores a 2006 e a fraude só foi desvendada no ano seguinte. Essa informação é usada pelo advogado de Macalão para tentar anular a suspeita da venda de selos para gerar lucro – a suposta engrenagem da fraude que desviou mais de R$ 3 milhões dos cofres públicos.
Participação de policiais
Aparentemente, os homens que aparecem enterrando os selos na casa de praia de Macalão agem fardados e portando algemas. A defesa de Macalão já encaminhou ofício às Polícias Civil e Militar para saber se há semelhança entre os equipamentos usados pelos suspeitos e nas corporações. A suspeita é de que brigadianos, ligados à Assembleia Legislativa, possam ter recebido ordens para incriminar Macalão.
Defesa recupera vídeo em que suspeitos aparecem enterrando selos na casa de Macalão
Meta é pedir que a justiça reconsidere uso do material como prova para inocentar ex-diretor administrativo da Assembleia