Política

Delator diz que empresário pagava propina trimestral a ex-diretor da Petrobras

Setenta mil dólares eram repassados para Paulo Roberto Costa

O delator Humberto Mesquita, genro do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, afirmou que o empresário Mariano Marcondes Ferraz repassava 70 mil dólares em propina a cada trimestre para o executivo da estatal petrolífera. Ferraz foi preso nessa quarta-feira no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos/Cumbica, quando embarcava para Londres. 

O empresário foi citado em pelo menos quatro delações premiadas. Além de Humberto Mesquita, também o denunciaram os delatores Nestor Cerveró (ex-diretor da área Internacional da Petrobras), o operador de propinas Fernando Falcão Soares, o Fernando Baiano, e o Paulo Roberto Costa.

"Em sua colaboração premiada, Fernando Soares informou, ainda, ter participado de um jantar fornecido por Mariano Ferraz na residência deste, com a presença de Paulo Roberto Costa, ocasião em que Mariano Ferraz manifestou o interesse a Paulo Roberto Costa de renovar o contrato de alguém de tanques na RNEST, com acréscimo de valores, com a alegação de que os valores estavam módicos", declarou Baiano, segundo o pedido de prisão de Mariano Marcondes Ferraz feito pela força-tarefa da Lava Jato.

Ferraz é ligado à empresa Trafigura. Paulo Roberto Costa declarou que a Trafigura, por intermédio do empresário, "ofereceu o pagamento de vantagens indevidas para prestar serviços à Petrobras, tendo o então diretor de Abastecimento da companhia adotado providências para contratação daquela empresa". Segundo a Procuradoria da República, no Paraná, "em cumprimento à promessa de pagamento de vantagens indevidas, Mariano Ferraz efetuava, rotineiramente, o repasse da propina para Paulo Roberto Costa no exterior".

"Para tanto, Paulo Roberto Costa contou com os préstimos de Humberto Sampaio de Mesquita (Humberto Mesquita), seu genro, o qual ficou encarregado de operacionalizar o recebimento das vantagens indevidas na conta da offshore OST Invest & Finance INC (OST Invest), mantida no Banco Lombardier Odier, sediado em Genebra, Suíça", relata a força-tarefa da Lava Jato.

Contato por propina

O Ministério Público Federal destaca que Humberto Mesquita celebrou acordo de colaboração premiada e revelou que Paulo Roberto Costa lhe solicitou que entrasse em contato com Ferraz "para recebimento de valores de propina da Trafigura na conta OST Invest". "O colaborador Humberto Mesquita revelou que Mariano Ferraz, aproximadamente a cada trimestre, efetuava depósito de valores na OST Invest no importe de 70 mil de dólares", destaca a Procuradoria.

Segundo a Lava Jato, "o total das transações imputáveis a Mariano Ferraz atinge a quantia de 868.450 dólares". "Tais valores são condizentes com o documento objeto de apreensão ("Beto - Relatório Mensal SET 2013 - valores relativos ao PR") que indica um total aproximado de 800 mil dólares de propina para Paulo Roberto Costa.

Além disso, no documento "Beto - Relatório Mensal MAIO 2013 - valores relativos ao PR" há a indicação de pagamento de Euro 52.800, o que é, de fato, corroborado com o valor total das vantagens indevidas depositadas por Mariano Ferraz na conta OST Invest no importe de 868.450 dólares", diz a força-tarefa.

Defesa

Após a prisão de Ferraz, seus advogados informaram que ainda estão se inteirando sobre sua prisão e vão se manifestar assim que tiverem mais informações sobre o caso.