Política

Delegado da Polícia Civil elogia operação federal no Banrisul

Rodrigo Bozzetto pediu à PF compartilhamento dos dados acessados pelo TCE

Séria e bem desenvolvida. Esta é avaliação inicial do titular da Delegacia de Crimes Fazendários do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) sobre a Operação Mercari da Polícia Federal (PF), que garante ter identificado uma quadrilha no setor de marketing do Banrisul, responsável por fraudes de mais de R$ 10 milhões.

As declarações de Rodrigo Bozzetto, que, nesta quinta-feira, pediu à PF o compartilhamento dos dados sobre o caso, contrastaram com as avaliações recentes do Palácio Piratini. Desde que a ação foi desencadeada, na última quinta, a governadora Yeda Crusius, o presidente do banco, Mateus Bandeira, e o advogado do Banrisul, Fábio Medina Osório, tem criticado o que consideraram uma interferência federal em crimes de competência estadual, com supostos objetivos políticos.

Bozetto demonstrou discordar do entendimento. "É preciso ficar claro que há crimes de atribuição estadual que são investigados pela PF e vice-versa. Então, na verdade, não há uma competência exclusiva. Caso eu me depare com um crime estadual e posteriormente eu verifique que ele é federal, no término da investigação, eu posso muito bem encaminhar os fatos para análise do poder judiciário federal. Isto não trará nulidade alguma. É uma questão de atribuição e não de competência".

Pelo twitter pessoal, a governadora se manifestou, na última sexta, sobre a questão: "Leio as manchetes e vejo a confusão: a manchete poderia ser 'operação da polícia civil...' como foi ontem, onde nossa civil, em operação rotineira, pois é muito eficiente em investigar e agir, prendeu mais de 370 pessoas, mais de 7 mil pedras de crack, flagelo social".

Yeda considerou ainda que foi "vetada" a participação da polícia estadual. "Defendo um patrimônio importantíssimo do Estado. A serviço do Estado, agora, acompanho o trabalho das autoridades", disse. "Gostaria da polícia estadual junto. Banrisul não foi avisado, a polícia estadual não foi avisada, que estranho", ressaltou.

O inqúerito da Polícia Civil sobre o caso Banrisul está em andamento desde a última sexta. Para Bozzetto, enquanto os detalhes sobre a investigação federal não forem liberados, não há como opinar sobre a existência de indícios suficientes de crimes no setor de marketing da instituição.

Porém, ele tece elogios ao trabalho desenvolvido até agora pela Força-Tarefa da operação, composta pela PF e os Ministérios Públicos Estadual e de Contas: "Não tenho como entrar no mérito, já que não tenho conhecimento formal do caso, mas pelo o que acompanhei, foi um trabalho sério e muito bem desenvolvido".

O pedido de compartilhamento de dados também foi enviado pelo delegado ao MP Estadual, Banrisul, e à Justiça. O superintendente da PF no Estado, delegado Ildo Gasparetto, garante remeter cópias de documentos, desde que haja autorização judicial, já que o caso segue em segredo de Justiça. "Não temos nada contra, pelo contrário, quanto mais gente investigando melhor", disse.

TCE tem acesso a dados do inquérito 

Nesta quinta, auditores do Tribunal de Contas do Estado (TCE), que realizam uma inspeção nos contratos sob suspeita no Banrisul, tiveram acesso aos dados sigilosos da investigação da PF. Segundo a assessoria de comunicação do órgão, dois contadores e dois economistas vão analisar as possíveis irregularidades no âmbito adminstrativo do banco. Os federais apontam que os desvios de dinheiro público ocorriam através do superfaturamento de contratos entre o setor de marketing do banco e as agências de publicidade. 


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