Política

Delegados da Polícia Federal "inquietos" com novo ministro da Justiça

Associação dos policiais argumenta que nomeação de Aragão contraria STF

Associação dos policiais argumenta que nomeação de Aragão contraria STF
Associação dos policiais argumenta que nomeação de Aragão contraria STF Foto : José Cruz / Agência Brasil / CP
Os Delegados de Polícia Federal, representados pela Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF), manifestam sua "inquietude" diante da indicação do Subprocurador-Geral da República, Eugênio de Aragão, para ocupar o cargo de Ministro de Estado da Justiça. Eles argumentam que  a nomeação do subprocurador "vai de encontro à decisão recente do Supremo Tribunal Federal (STF) que determinou que 'membro do Ministério Público não pode ocupar cargo político no âmbito do Executivo, como o de ministro de Estado e secretário', como forma de garantir a independência do Ministério Público".

"Na esteira do entendimento do ministro do STF, Luís Roberto Barroso, cremos que quem exerce função de Estado, como é o caso do membro do Ministério Público, não deve poder exercer função de governo", analisou nota da PF. "A função de Estado exige distanciamento crítico e imparcialidade. Função de governo exige lealdade e engajamento."

A ADPF também informou que "causa incômodo" a decisão do Governo Federal em indicar para o cargo um Subprocurador que possui relação de subordinação com o atual Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, responsável por eventuais acusações dos membros do governo envolvidos na Operação Lava Jato. "A participação direta da Procuradoria-Geral da República no governo, por meio do Ministério da Justiça, não é recomendável, pois pode afetar a necessária isenção do Procurador-Geral para conduzir os eventuais processos criminais inclusive contra integrantes do governo do qual ele participa", enfatizou o texto.