Política

Demóstenes afirma que provará sua inocência

Senador apareceu de surpresa na reunião do Conselho de Ética

Demóstenes apareceu de surpresa na reunião do Conselho de Ética
Demóstenes apareceu de surpresa na reunião do Conselho de Ética Foto : Wilson Dias / ABr / CP
O senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) apareceu de surpresa na manhã desta quinta-feira na reunião do Conselho de Ética que definiu Humberto Costa como relator do processo de quebra de decoro parlamentar contra ele, pela denúncia de envolvimento com o empresário do ramo de jogos ilegais Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Assim que foi aberta a sessão, o senador pediu a palavra para dizer que provará sua "inocência" e solicitou respeito ao regimento da Casa.

Demóstenes alegou que a escolha do presidente da comissão, senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE), poderia ser questionada como irregular porque não houve, segundo o parlamentar, eleição em sessão secreta para o cargo. O senador goiano disse, porém, que não alegará qualquer nulidade do processo. "Pode parecer uma filigrana", afirmou. "Eu quero provar a minha inocência é no mérito, até agora não tive a oportunidade de me defender. Provarei que sou inocente."

Eleito na terça-feira para a presidência do Conselho de Ética, Valadares foi escolhido por ser o senador mais antigo do colegiado. Tem 69 anos, completos na última sexta. Mas, segundo Demóstenes, ele só poderia permanecer "interinamente" no cargo, apenas para presidir, em até cinco dias, a eleição do presidente. O prazo, observou, venceria na próxima terça.

"O titular mais idoso somente assume a presidência interinamente para presidir a sessão de eleição da presidência", afirmou. "Neste caso, não há outra alternativa a não ser a eleição para presidente", disse o senador goiano, notando que o próprio Valadares poderia ser o presidente eleito para conduzir seu processo de quebra de decoro.

Demóstenes informou que deixaria em seguida a reunião para não constranger a comissão, e que se considerava notificado desde a véspera do prazo para responder à representação do PSOL. Ele considerou adequado os dez dias de prazo para fazer sua defesa, inicialmente por escrito, e depois diretamente aos integrantes do conselho, respondendo a perguntas.

No momento em que Demóstenes ia deixar a sala, o presidente do conselho pediu que ficasse para ouvi-lo. Valadares disse que sua escolha está amparada legalmente, diante da dificuldade do PMDB, partido a quem caberia a indicação, encontrar um nome. "Todos os atos praticados por mim foram inteiramente observando os trâmites constitucionais e legais", declarou.

Demóstenes deixou a sala em seguida, sem falar com a imprensa. Os senadores do conselho seguiram discutindo se devem ou não eleger o presidente do conselho. O líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), disse que apoia a continuidade de Valadares no cargo.


Bookmark and Share