Orlando Silva deverá ser ouvido ainda nesta semana pelas comissões de Fiscalização Financeira e Controle e Turismo e Desporto, a pedido da base do governo. Para o líder do DEM, ACM Neto (BA), o caso não pode ser encerrado apenas com as declarações do ministro.
João Dias comanda uma associação de kung fu e preside a federação brasiliense da modalidade. Acusado de fraudes em convênios com o ministério do Esporte, ele chegou a ser preso no ano passado. Agora, acusa Orlando Silva de ser o mentor do esquema de desvio de recursos.
Segundo ele, haveria cobrança de 20% de propina nos convênios firmados no âmbito do Segundo Tempo. O motorista Célio Soares Pereira, funcionário de João Dias em uma academia, contou ter entregue uma caixa de papelão com notas de R$ 50 e R$ 100 na garagem do ministério.
Denúncia
O ministro é apontado como principal beneficiário de um suposto esquema de desvio de dinheiro público por meio de convênios de sua pasta com Organizações Não Governamentais (ONGs) pelo policial militar João Dias Ferreira, investigado como um dos integrantes do grupo.
O jornal O Estado de São Paulo revelou, em uma série de reportagens publicadas em fevereiro deste ano, que o principal programa do ministério, o Segundo Tempo, se transformou em um instrumento financeiro do PCdoB, partido de Orlando Silva. Sem licitação, o ministro entregou o programa a entidades ligadas ao partido, cujos contratos com essas ONGs somaram R$ 30 milhões só em 2010.