Política

Depoimento coloca em dúvida explicações de Juliana Brizola à CPI do ProJovem

Ex-coordenadores do programa depuseram na Câmara de Vereadores hoje

Depoimento coloca em dúvida explicações de Juliana Brizola à CPI do  ProJovem
Depoimento coloca em dúvida explicações de Juliana Brizola à CPI do ProJovem Foto : Tonico Alvares / Divulgação / Câmara de Vereadores
O depoimento da coordenadora do ProJovem Urbano entre janeiro e dezembro de 2008, Cleci Jurach, à CPI do ProJovem na manhã desta quinta-feira colocou em dúvida as explicações dadas por Juliana Brizola, ex-titular da Secretaria Municipal da Juventude, na semana passada. Questionada pelos parlamentares sobre o contrato sem licitação com a Fundação da Ulbra, a atual secretária municipal de Educação de Porto Alegre disse que Juliana Brizola assinou o contrato emergencial, embora tivesse pedido ao prefeito José Fogaça uma licitação para definir a empresa que administraria o ProJovem.

“Naquele momento, em virtude das dificuldades de gestão que encontramos no ProJovem, não tinha condições de esperar uma licitação, sob o risco de o programa ser encerrado e 800 jovens ficarem sem aula”, disse Cleci. Semana passada, a deputada Juliana havia dito aos vereadores que o contrato emergencial com a Fundação da Ulbra não havia sido assinado por ela.

A depoente afirmou ainda ser pouco provável que Juliana não tivesse conhecimento pessoal de André Fortes, que coordenou o ProJovem Comunitário por indicação da Fundação da Ulbra. Fortes também esteve à frente do projeto Quilombos da Juventude, para o qual a então secretaria liberou R$ 338 mil para o projeto de inclusão social de jovens das periferias.

Depois do depoimento de Cleci Jurach, o assessor jurídico da secretaria da Juventude nas gestões de Juliana Brizola, Jonatas Ouriques, apresentou documentos que demonstrariam a licitude dos contratos, com o respectivo empenho de recursos. Ouriques explicou que um aditivo de R$ 179 mil para o programa Quilombos da Juventude não foi liberado, fato registrado no Diário Oficial da município.

Presidente da CPI, o vereador Luiz Braz (PSDB) questionou Ouriques sobre o contrato de R$ 40 mil com uma empresa de filmagem para dois dias de evento. “Por este valor, a filmagem deve ter sido coisa de outro mundo”, ironizou o parlamentar. Ouriques argumentou que o material é de qualidade, inclusive vai disponibilizar os seis DVDs feitos pela produtora contratada (sem licitação).

Já o vereador Mauro Pinheiro (PT), disse que não recebeu resposta convincente sobre o emprenho de R$ 33 mil da Secretaria para a compra de lantejoulas, colas, spray e máquina de soldar para o projeto Quilombos. “Fui atrás da empresa contratada, mas não encontrei em nenhum dos três endereços indicados”, disse o vereador.

O depoimento de Anderson Farias, outro coordenador do ProJovem, foi transferido para a próxima semana. As contradições podem fazer com que os parlamentares convoquem, novamente, Juliana Brizola.


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