Política

Depoimento de Barusco à CPI da Petrobras é aberto ao público

Deputados não poderão fazer perguntas sobre vida pessoal do ex-gerente da estatal

Deputados não poderão fazer perguntas sobre vida pessoal do ex-gerente da estatal
Deputados não poderão fazer perguntas sobre vida pessoal do ex-gerente da estatal Foto : Zeca Ribeiro/ Câmara dos Deputados/ CP
O depoimento do ex-gerente da Petrobras, Pedro Barusco, à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras ocorre em audiência pública. Ontem a defesa havia solicitado à Câmara dos Deputados que ele fosse ouvido, nesta terça-feira, a portas fechadas. Após acordo com a secretaria da CPI, no entanto, a defesa concordou com a realização de uma sessão pública.

Os deputados, contudo, não poderão fazer perguntas sobre a vida pessoal ou da família do ex-gerente da estatal. Um dos delatores da Operação Lava Jato da Polícia Federal, Barusco é o primeiro dos depoimentos agendados pela CPI, que foi criada para investigar a prática de atos ilícitos e irregulares no âmbito da estatal do petróleo, no período de 2005 a 2015.

Cada membro da CPI terá três minutos para fazer perguntas ao depoente. Os dez autores dos requerimentos de convocação de Barusco terão 5 minutos cada. O primeiro a fazer perguntas foi o relator da CPI.


Delação premiada

Em três depoimentos prestados à Polícia Federal do Paraná, em novembro do ano passado, Barusco admitiu ter recebido propinas de empresas contratadas pela Petrobras de 1997 a 2013. Ele detalhou, dentro do processo de delação premiada que corre na 13ª Vara Federal de Curitiba (PR), como teria funcionado o esquema de desvio de recursos da estatal a partir de 2003, principal foco da comissão.

Barusco disse ter recebido cerca de US$ 97 milhões de dólares em propina neste período e nomeou outros supostos beneficiários do esquema, bem como as empresas contratadas pela Petrobras responsáveis pelos pagamentos. Ele disse ainda que parte da propina era destinada ao PT e tinha como operador o tesoureiro do partido, João Vaccari Neto.

Nos depoimentos, ele admitiu ter recebido propinas durante o período em que ocupou os cargos de gerente de Tecnologia na Diretoria de Exploração e Produção da Petrobras e quando era subordinado ao então Diretor de Serviços, Renato Duque. Ele saiu da Petrobras em 2011 para ocupar cargo executivo na empresa Setebrasil, constituída para construir sondas de exploração do petróleo do pré-sal em contratos com a Petrobras. Ele disse ter recebido também propinas quando era diretor da empresa.