O governo enfatiza, em nota, que Florence conduziu “com dedicação e eficiência ações que fortaleceram a agricultura familiar e contribuíram para a redução da pobreza e da inclusão social”. O texto oficial também traz a avaliação da presidente Dilma Rousseff sobre o trabalho que o novo ministro fará. “A presidente deseja boa sorte ao deputado Pepe Vargas, certa de que ele exercerá as novas funções com o mesmo empenho e compromisso que têm caracterizado sua vida pública”, relata.
Formado em medicina, Pepe Vargas iniciou carreira política na década de 80, após militar no movimento estudantil. Foi vereador (1989-1992), deputado estadual (1995-1996) e prefeito de Caxias por duas vezes: eleito em 1996 e reeleito em 2000.
Demitido por Dilma, Florence vinha sofrendo ataques dos movimentos sociais, por causa da queda no número de assentamentos. Em 2011, o programa de reforma agrária beneficiou cerca de 22 mil famílias. Florence e Pepe Vargas pertencem à mesma corrente interna petista, a Democracia Socialista, uma das mais radicais. Dessa forma, Dilma faz apenas uma reacomodação em seu ministério, sem mexer nas posições reservadas a partidos e a alas petistas. Desde que foi anunciada a possibilidade de a presidente fazer uma reforma ministerial o nome de Florence aparecia na lista dos candidatos à degola. Deputado federal de primeiro mandato, Florence volta à Câmara num momento em que a base de sustentação do governo vive um momento de conflagração. Nesta semana o PMDB divulgou um manifesto com ataques ao PT, que estaria avançando sobre municípios dominados pelos peemedebistas. Florence tornou-se ministro do Desenvolvimento Agrário por conta da desistência do senador Walter Pinheiro (PT-BA), também da DS, o primeiro a ser convidado para o cargo. Pinheiro disse a Dilma Rousseff que não gostaria de assumir um ministério, pois queria sentir o gosto de se sentar na cadeira de senador, para a qual foi eleito. Dilma então sugeriu que ele indicasse um substituto. Pinheiro escolheu Florence. O assentamento de apenas 22 mil famílias no ano passado pelo programa de reforma agrária fez com que o governo da presidente Dilma Rousseff batesse um recorde negativo numa área comumente agitada, com lideranças ligadas aos petistas. Nos últimos 16 anos, foi o menor número de famílias beneficiadas, de acordo com números do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).