Deputados da base aliada expõem divergências sobre privatizações
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Deputados da base aliada expõem divergências sobre privatizações

Emedebistas têm feito reuniões para discutir prioritariamente o tema e avaliar o comportamento do governo gaúcho

Por
Luiz Sérgio Dibe

Bancada do MDB tem se reunido para discutir o assunto

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Deputados da base aliada ao governador Eduardo Leite (PSDB) expuseram, na sessão plenária dessa semana, que mantêm discordâncias sobre como os projetos que pedem a autorização para privatizar a CEEE, a Sulgás e a CRM têm sido encaminhados pelo Executivo. O envio das propostas à Assembleia foi adiado duas vezes em decorrência deste descompasso. A primeira quando o governador deu 10 dias para discussões, depois de ter anunciado que protocolaria os textos acerca da matéria imediatamente após a promulgação pela Assembleia. A segunda quando Eduardo Leite foi provocado pelos deputados a modificar a intenção de manter o prazo desejado, a fim de permitir mais tempo para ouvir as demandas dos aliados.

"Estamos alertando o governo que queremos tranquilidade para tomar essas decisões. Até agora, o governo não demonstrou como serão empregados os recursos obtidos com as vendas, que modelo de negociação está sendo planejado e, principalmente, como serão as etapas da recuperação fiscal do Estado", cobrou o líder do MDB, deputado Fábio Branco.

Os emedebistas têm feito reuniões para discutir prioritariamente o tema das privatizações e avaliar o comportamento do governo acerca dos projetos. Segundo Branco, contudo, as informações oferecidas até agora são insuficientes para eliminar as divergências.

"Sabemos que a modelagem final para um processo de privatização leva um certo tempo, mas o governo precisa apresentar, aos menos, uma linha clara sobre o modelo de negociação e, principalmente, como este plano se relaciona com o Regime de Recuperação Fiscal", indicou.

A bancada do MDB volta  a se reunir antes da próxima rodada de discussões com representantes do Executivo, que ocorrerá na próxima segunda-feira, na Ala Residencial do Piratini. O último encontro, na segunda-feira passada, reuniu líderes aliados, o chefe da Casa Civil Otomar Vivian (PP), o líder do governo na Assembleia, deputado Frederico Antunes (PP), e o procurador-geral do Estado, Eduardo Cunha da Costa, que buscaram acabar com as dúvidas e ouviram pedidos dos parlamentares.

Um dos pontos que mais gera preocupação, destacou o líder da bancada do PSB, deputado Elton Weber, é a intenção expressa pelo governo de que irá “simplificar o texto”, pedindo apenas autorização para desestatizar as empresas públicas. "O texto que trata da privatização de um patrimônio público não pode ser tão simples assim. Esse jeito gera dificuldade para andar", definiu Weber.

Líder do governo, o deputado Frederico Antunes (PP) disse não saber quando os projetos, de fato, irão para a Assembleia. Ele antecipou, no entanto, que Leite pedirá que tramitem em regime de urgência, outro ingrediente que desagrada alguns dos aliados. Porém, esta medida é considerada pelo governo como imprescindível para que a tramitação alcance o plenário em tempo hábil para discussão e aprovação antes do recesso, que começa em 15 de julho.

Nos bastidores, a informação que corre na Assembleia é que o retardo no envio dos projetos se deve a divergências sobre os planos do governo. Isso pesaria mais ainda para bancadas cujos partidos têm pretensões de enfrentar Leite nas próximas eleições. Aliados também estariam cobrando nomeações de indicados para cargos no Executivo, às quais aliados teriam acesso como espaço político decorrente da composição com o governo.

Os rumores dão conta, ainda, de que o Piratini estaria represando a nomeação para cargos a fim de testar a fidelidade dos aliados nas votações e encaminhamentos para o Executivo. "O governo anterior distribuiu os cargos entre os aliados muito cedo e quando chegaram os projetos pesados não tinha mais com o que negociar. Tirou de uns para dar a outros e acabou fragmentando a base. Será que alguém passou essa lição para o atual governo?", questionou-se um ex-deputado que atua na articulação do partido e sua bancada na Assembleia.