Política

Desafio de Marchezan de aplicar discurso de enxugamentos na prática

Prefeito eleito de Porto Alegre pretende reduzir secretarias e cargos de confiança

Marchezan pretende reduzir secretarias e cargos de confiança
Marchezan pretende reduzir secretarias e cargos de confiança Foto : Eduardo Beleske / Divulgação / CP
O anúncio do prefeito eleito Nelson Marchezan Júnior, sobre o mapa da administração municipal em sua gestão, a partir de 1º de janeiro de 2017, está na linha de uma das principais bandeiras defendidas pelo tucano durante a campanha e que foi um dos fatores mais aplaudidos pelo eleitorado: a otimização e profissionalização da máquina pública com foco na eficiência e na prestação de serviços à população. Segundo Marchezan, as secretarias serão reduzidas de 29 para 15, além de enxugamentos que ocorrerão em órgãos da administração indireta. Ainda não há definição sobre o corte no número de cargos de confiança (CCs). O principal desafio de Marchezan, apesar das dificuldades financeiras da prefeitura, será aplicar, na prática, o discurso sustentado ao longo de sua trajetória parlamentar e durante a campanha. A atuação no Executivo é completamente distinta e mais complexa do que no Legislativo.

Partidos não estão acostumados a verem suas indicações políticas para cargos estratégicos serem submetidas ao crivo estabelecido pelo prefeito eleito. Entre as exigências, estão a necessidade de ficha limpa, de experiência e ainda o cumprimento de metas. Por ora, lideranças aliadas estão cautelosas, mas não há dúvida de que cobranças e reivindicações incisivas virão a seu tempo. Além da redução de espaços de poder para serem compartilhados entre aliados, os cargos de terceiro escalão têm importância na tradicional cadeia alimentar administrativa e política. Uma das possibilidades analisadas é a de não extinguir nenhum dos 1.074 CCs hoje existentes, mas apenas não preencher a integralidade das vagas. Caso este cenário se confirme, serão quatro anos de brigas internas e exigências pela ocupação dos cargos vagos.

Os próximos meses serão reveladores sobre o desempenho de Marchezan no principal desafio de sua vida pública até aqui e sobre a capacidade e força que terá - ou não - para transformar a teoria em realidade.

Decisões e reflexos

Ao cortar espaços no primeiro escalão e unificar atividades destes e de órgãos da administração indireta à pastas que serão preservadas, Marchezan pode acabar criando supersecretarias, com muito poder, cargos e recursos. Os espaços irão se tornar os mais cobiçados com potencial para deflagrar carnificina entre aliados. Outra definição que estaria sendo sustentada nos bastidores é a de não escolher vereadores para secretarias. O objetivo é louvável e compreensível. Evitar o uso da máquina pública visando às próximas eleições. A decisão já está gerando discordâncias e descontentamentos na base.