A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta terça-feira, a operação Lamaçal, que investiga suposto superfaturamento em contratos no valor de R$ 120 milhões na prefeitura de Lajeado. O foco são desvios de verbas públicas federais do Fundo Nacional de Assistência Social (FNAS), repassadas ao município do Vale do Taquari em razão das enchentes de maio de 2024, as maiores da história do Estado.
O principal alvo da investigação é o ex-prefeito de Lajeado, Marcelo Caumo (União Brasil), que atuou na gestão municipal entre 2017 e 2024. Atualmente, é secretário de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano no governo Eduardo Leite (PSD).
A reportagem buscou contato com Caumo, sem sucesso. Contatou, contudo, o deputado federal Luiz Carlos Busato, presidente do União Brasil, partido ao qual o secretário é filiado desde março deste ano. O parlamentar está em roteiro pelo interior do Rio Grande do Sul e ainda não falou com o secretário.
“Quando acontecem essas operações, a gente tem que ficar sempre com o benefício da dúvida. Vou conversar com ele e provavelmente deve ter alguma explicação. Não vou fazer um pré-julgamento. Não sei o que é”, afirmou Busato.
“Em princípio, vou confiar nele. Foi bem anterior (à migração de Caumo do PP para o União). Vamos aguardar e entender o assunto. Tenho uma consideração bastante grande pelo Marcelo. Tem sido um bom secretário”, completou.
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Entenda o caso
Durante a ação, policiais federais cumpriram 35 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, além do sequestro de 10 veículos e bloqueio de ativos no montante aproximado de até R$ 4,5 milhões. As buscas aconteceram nos municípios de Lajeado, Muçum, Encantado, Garibaldi, Guaporé, Carlos Barbosa, São Leopoldo, Novo Hamburgo e Porto Alegre.
No decorrer do inquérito policial, foi possível verificar irregularidades em procedimento licitatório realizado pela Prefeitura de Lajeado para contratação de empresa, tendo como objeto a prestação de serviços terceirizados de psicólogo, assistente social, educador social, auxiliar administrativo e motorista.
O valor total dos dois contratos, inicialmente levantados no curso do inquérito policial, somam aproximadamente R$ 120 milhões.
Os investigados poderão responder pelos crimes de desvio de verbas públicas, crimes em licitações e contratos administrativos, bem como por lavagem de capitais. A operação contou com a participação de 92 policiais federais e três auditores da CGU.