Política

Diante de empresários, Serra defende reforma tributária

Candidato disse que o atual governo nunca teve um projeto e que as mudanças na legislação tributária não precisarão ser feitas todas ao mesmo tempo

O candidato a presidente da república José Serra reafirmou nesta sexta-feira, em Florianópolis, que vai focar a gestão no Brasil, caso seja eleito, na produção como forma de fortalecer a economia. Para o tucano, os recentes indicativos da desindustrialização precisarão ser combatidos com uma política de valorização dos produtos e mercado e na definição de uma nova ordem tributária. "O Brasil precisa ser nivelado por cima. É o país que tem a menor taxa de investimento governamental e vem pecando pela falta de prioridade de investimentos, mostrando-se incapaz de trazer o setor público privado para o desenvolvimento de sua estrutura", afirmou, por ocasião de seu encontro com cerca de 500 empresários na sede da Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC).

Sobre uma reforma tributária, afirmou que se trata de uma necessidade e que ela não, necessariamente, precisará ser feita como um "carroção". O candidato disse que o atual governo nunca teve um projeto e que as mudanças na legislação tributária não precisarão ser feitas ao mesmo tempo. "Vamos adotar a tática da guerra. Atacar o inimigo aos poucos. Atuar com a razão, pois nada se resolve como um rolo compressor", defendeu.

Serra atacou as deficiências em infraestrutura citando como exemplo a situação dos portos. Informou que num universo de aproximadamente 150, o Brasil está ranqueado como o 125º país com os piores portos.

Acrescentou, também, as condições dos aeroportos, cada vez mais congestionados com falta de estrutura. "No Rio Grande do Norte, foi dada a concessão para a construção de um aeroporto. A pista foi construída pelo exército e até onde sei o terminal ainda não saiu. Não sei como nós vamos sair deste apagão na infraestrutura", afirmou, dando como outro exemplo o gasto exorbitante dispensado para o transporte de soja do Mato Grosso para o porto de Paranaguá (PR). "Se gasta mais com o transporte deste produto no Brasil que do porto até a China", emendou.

Ao enumerar a perversidade de um tripé de imbróglios responsáveis pela preocupação do setor, defendeu uma política voltada à definição de critérios para a consolidação do comércio internacional. O país, segundo ele, não possui uma política de defesa comercial e que as existentes atualmente estão entre as mais desleais da economia mundial. "Nos últimos anos, mais de 100 tratados de livre comércio foram assinados. O Brasil, até onde sei, só assinou um", disse.