A presidente Dilma Rousseff retornou do Panamá às 2h40min da madrugada, depois de participar da Cúpula das Américas, e permanece na residência oficial, o Palácio da Alvorada. Dilma está sendo informada pelos ministros da Justiça, José Eduardo Cardozo, e da Casa Civil, Aloizio Mercadante. Até agora, a presidente e os ministros que se encontram em Brasília, não estão prevendo que o governo faça qualquer tipo de manifestação sobre os protestos que são realizados neste domingo, em diversas capitais do País.
Em Brasília, as avaliações feitas por interlocutores do Planalto foram de que as manifestações da capital federal foram menores do que as de 15 de março. Mas há quem reconheça que o público estimado pela Policia Militar do DF, de que 25 mil pessoas foram à Esplanada dos Ministérios protestar, não pode ser desprezado. Mas, o termômetro real do tamanho do protesto só será conhecido após serem iniciadas as manifestações em São Paulo, principal foco de resistência ao governo federal, que estão marcadas para a tarde de hoje.
De qualquer forma, há uma preocupação do governo com o número de pessoas que esteve no protesto de Brasília e em Belo Horizonte, realizados agora pela manhã, já que a presidente Dilma, depois das manifestações de 15 de março, gastou uma série de munições que dispunha para tentar reagir às críticas da população. Dilma, que já pediu paciência à população, e vinha se mantendo recolhida em Brasília e sem dar entrevistas, começou a falar com a imprensa, quase que diariamente, e passou a viajar pelo País para defender seu governo.
Mesmo assim, um novo protesto está acontecendo hoje, dia 12 de abril, menos de um mês depois do realizado em 15 de março, embora com um número menor de seguidores, até agora. Isso, de acordo com interlocutores do Planalto, não pode ser desprezado porque a ida das pessoas para as ruas, em número significativo, mostra que, mesmo desorganizadamente, a população está mobilizada para demonstrar sua insatisfação com o governo.
Governo e PT
Desde a sexta-feira, o governo e a cúpula do PT avaliavam que as manifestações previstas para hoje, em todo o País, seriam menores e não teriam tanto impacto como as de 15 de março, quando cerca de 1 milhão de pessoas foram às ruas. Para o Palácio do Planalto, o mote do "impeachment" da presidente Dilma Rousseff não incendiou as redes sociais, mas, mesmo assim, é preciso acompanhar com atenção redobrada o movimento em São Paulo.
Depois que o PSDB decidiu convocar seus filiados para os atos, embora não apoie o "impeachment", o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva intensificou a cobrança para que Dilma saísse do gabinete e se comunicasse mais. Em conversas reservadas, Lula disse que, se sua sucessora não reagisse rápido, poderia entrar numa situação de instabilidade irreversível.
No Palácio do Planalto, o diagnóstico é o de que Dilma terminou a semana em situação de menos fragilidade. Motivo: após muitas idas e vindas e uma operação desastrada de troca de ministros, ela entregou a articulação política do governo para o vice, Michel Temer, que comanda o PMDB e, apesar das resistências internas, pode acertar o passo das negociações com o Congresso. Além disso, mesmo com dificuldades, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, já consegue angariar, a duras penas, apoio para medidas do ajuste fiscal.
Na sexta-feira, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, não quis estimar o tamanho das manifestações, que podem representar um novo divisor de águas no governo, para o bem ou para o mal. "Independentemente do número de pessoas, é importante reconhecer que todos têm o direito de se manifestar e de se expressar", esquivou-se Cardozo.
Agora, o receio dos petistas é de que a nova etapa de investigações da Operação Lava Jato aumente ainda mais a revolta e a sensação de que existe uma corrupção generalizada no País.
Dilma é informada sobre protestos, mas governo não deve se manifestar
Governo e avaliavam que as manifestações previstas para hoje seria menores