Os prefeitos reclamam em coro, durante a 16ª Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios, que vão cair na "lei da ficha suja" porque não conseguem arcar com esses custos, especialmente com a folha de pagamento.
O Planalto enviou nesta terça ao evento os ministros da Educação, Aloizio Mercadante, e da Saúde, Alexandre Padilha, para fazer a promessa da presidente. Padilha e Mercadante gastaram boa parte do tempo de suas palestras para falar do Programa Mais Médicos, lançado nessa segunda por Dilma. Eles disseram que as prefeituras não terão despesas com os médicos brasileiros e estrangeiros que o governo federal pretende contratar, com salário de R$ 10 mil, para atuar em áreas do País com déficit desses profissionais.
O prefeito de Santa Maria da Vitória (BA), Amário Santana (PT), disse que as prefeituras não têm dificuldades em fazer convênios com o governo federal, mas "sofrem" para garantir o custeio e as despesas na execução dos programas. Ele disse também que sua prefeitura tem um orçamento mensal de R$ 5 milhões, mas gasta R$ 3 milhões só com a folha de pessoal.
Já o prefeito de Nina Rodrigues (MA), Riba do Xerém (PRB), destacou que os ministros não foram "muito explicativos" nas suas exposições. "Eles generalizaram muito. Precisavam dar mais detalhes". Xerém disse que pretende aderir ao Programa Mais Médicos, pois no seu município, que tem cerca de 12,5 mil habitantes, há uma carência de pelo menos seis profissionais.
Vaias
Dilma não havia, até então, confirmado participação na marcha. Ontem (8), Paulo Ziulkoski se reuniu com a ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, para discutir a participação do governo federal no evento. O nome da presidente chegou a ser vaiado pelos participantes pouco antes de Ziulkoski informar a presença de Dilma amanhã. A expectativa deles era que ela participasse hoje da abertura.
À tarde, os participantes vão até o Congresso para a instalação da Subcomissão de Assuntos Municipais no Senado e para reunião com bancadas estaduais. O presidente da CNM pediu aos participantes que evitem tumulto no Congresso.