A presidente terá uma intensa agenda com a anfitriã, a presidente Cristina Kirchner. Este será o primeiro encontro oficial entre as duas únicas mulheres que atualmente são presidentes na América do Sul. Depois do almoço de honra que o governo Kirchner preparou para a presidente brasileira no elegante Palácio San Martín, sede da chancelaria argentina, haverá uma reunião privada das presidentes no escritório de Cristina Kirchner no primeiro andar da ala norte da Casa Rosada. Ambos governos também avaliarão a evolução do comércio bilateral, ponto delicado para a administração Kirchner, já que a balança comercial foi amplamente desfavorável para a Argentina em 2010, apesar das vantagens cambiárias do peso, a moeda argentina, em relação ao real.
Dilma encontrará as líderes das organizações de defesa dos Direitos Humanos das Mães e das Avós da Praça de Maioe, então, as presidentes passam ao Salão das Mulheres, onde se reúnem com os ministros dos dois governos. Vinte e cinco minutos depois deve começar a assinatura dos atos.
As duas presidentes assinarão entendimentos, memorandos e acordos sobre mais de uma dúzia de assuntos, entre os quais a intensificação da cooperação na área nuclear (os dois países desenvolvem, de forma conjunta, um reator multipropósito), a construção da hidrelétrica de Garabi, sobre o rio Uruguai, além da criação de um foro empresarial binacional. Depois disso, Dilma e Cristina devem realizar a denominada "declaração à imprensa". Isto é, uma declaração acordada da anfitriã e da convidada. No entanto, as duas presidentes, seguindo a tradição do governo Kirchner de evitar a imprensa, não aceitarão perguntas dos jornalistas.
A partida de Dilma está prevista para as 17h30min de Brasília, momento no qual deve embarcar no avião presidencial rumo à Brasília. Ontem, véspera da chegada de Dilma, os jornais Clarín, La Nación e Página 12 publicaram uma entrevista que a presidente brasileira concedeu na semana passada em Brasília aos meios de comunicação argentinos. Nela, Dilma destaca que o Brasil e a Argentina devem ter uma "relação estratégica que deve manifestar-se em todas as áreas de interesse de ambos países". Além disso, destacou que pretender ter "uma relação muito próxima" com a presidente Cristina.
Ano eleitoral
Dilma está em seu primeiro ano de mandato presidencial. Cristina, no entanto, começou a reta final de seu governo, já que no dia 10 de dezembro tomará posse o presidente que surgirá das eleições de outubro. Porém Cristina teria intenção de permanecer outro mandato sentada em "el sillón de Rivadavia", denominação da cadeira presidencial. Nas últimas semanas, ministros, governadores e parlamentares indicaram que a presidente Cristina Kirchner será candidata à reeleição. No entanto, por enquanto Cristina não se pronunciou sobre o assunto e mantém silêncio sobre sua eventual candidatura.