Política

Dilma completa 100 dias impondo a imagem de gestora

Temor de comparação com Lula faz presidente não atender a pedidos de eventos públicos

Dilma completa 100 dias impondo a imagem de gestora
Dilma completa 100 dias impondo a imagem de gestora Foto : Fábio Rodrigues Pozzebom / ABr
A presidente da República, Dilma Rousseff, completa 100 dias no Palácio do Planalto sem dar margem a dúvidas sobre sua capacidade de controlar o próprio governo. Com palavras ríspidas em conversas reservadas e gestos sutis em público, ela aproveitou a "lua de mel" e a força de governante em início de mandato para enquadrar aliados, centrais sindicais e empresários e bloquear personalismos. Dilma reforçou seu poder político e impôs a imagem de gestora.

Logo após ser eleita na esteira da popularidade do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva e indicar nomes fortes para o ministério, como Antonio Palocci, Dilma deixou claro, em entrevista em novembro, que não aceitaria a fama de "rainha da Inglaterra".

A decisão de impor uma marca de governo ficou evidente na visita, em março, do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ao Brasil. Ela convidou ex-presidentes para o almoço no Itamaraty, entre eles o tucano Fernando Henrique Cardoso, alvo contumaz dos ataques de Lula. Dilma, no entanto, executou antigos sonhos do ex-chefe, como a degola de Roger Agnelli do comando da Vale. A companhia agora é chefiada por Murilo Ferreira, um simpatizante.

A presidente gosta de ser tratada com deferência e demonstrar prestígio e autoridade. Isso facilitaria a relação com o vice, Michel Temer, do PMDB. Nos encontros com a presidente, Temer abusa do cerimonial e dos ritos e sempre observa a hierarquia.

O temor de ser comparada a Lula seria um dos motivos de Dilma não atender a insistentes pedidos de aliados de redutos do ex-presidente para participar de eventos públicos. No debate do reajuste do salário mínimo, no qual enfrentou as centrais sindicais para manter o valor R$ 545 mensais, e na revolta de operários da usina de Jirau, Dilma, porém, recebeu provas de que a aliança com movimentos sociais, agora costurada pelo ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral), se mantém forte.

Auxiliares dizem estar certos de que a distensão na briga com os opositores e o fim das cerimônias com jeito de comícios foram previamente acertados com Lula. Sobre essas diferenças, o ex-chanceler Celso Amorim disse que provavelmente não votaria resolução da ONU contra o Irã, em crítica a seu sucessor, Antonio Patriota. Um dos segredos do governo é mostrar que, mesmo quando cede a barganhas, Dilma foi quem tomou a decisão final.

Com informações da Agência Estado

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