Política

Dilma considera "inaceitável" divulgação de fotos de presos do Turismo

Ministro da Justiça pediu providências por gafe da PF que causa problema ao governo

A presidente Dilma Rousseff considerou "inaceitável" a divulgação de fotos dos presos na Operação Voucher, realizada pela Polícia Federal, que resultou na prisão de 36 pessoas acusadas de envolvimento em irregularidades no Ministério do Turismo. De acordo com o porta-voz do Planalto, Rodrigo Baena Soares, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, considerou o vazamento das fotos "uma violação do princípio da dignidade do preso".

O fato causou ainda mais irritação de aliados políticos que já haviam se considerado "expostos" pela Polícia Federal, com permissão para que fossem feitas imagens dos presos, criando mais problemas à presidente, que recebeu inúmeras queixas no Planalto. As reclamações preocupam o governo, que já enfrenta graves problemas com a base no Congresso pela demora na liberação de emendas e de nomeações para cargos.

Mais cedo, o ministro da Justiça encaminhou ofício ao presidente do Supremo Tribunal Federal, Cézar Peluso, pedindo que o Conselho Nacional de Justiça tome providências sobre o vazamento das fotografias dos presos na Operação Voucher. Os detidos aparecem nas imagens sem camisa e segurando placas de identificação.

O Palácio do Planalto informou também que, em resposta ao ofício de Cardozo, Cézar Peluso disse ao ministro da Justiça que vai encaminhar a denúncia ao Ministério Publico, ao governo estadual e à Vara de Execuções de Macapá.

A Operação Voucher, deflagrada pela Polícia Federal (PF), investiga o desvio de recursos públicos destinados ao Ministério do Turismo por meio de emendas parlamentares. A operação contou com a participação de 200 policiais federais. Foram expedidos 38 pedidos de prisão, porém duas pessoas continuam foragidas.

Dos 36 detidos em São Paulo, Brasília e no Amapá, na última terça-feira, 18 já haviam sido libertados na quarta-feira. Nesta sexta, a Justiça concedeu habeas corpus para cinco suspeitos, incluindo o número dois do Turismo, Frederico Costa e Silva. Ele teria de pagar R$ 109 mil de fiança.

A investigação sobre o esquema de corrupção de verbas do Ministério do Turismo começou em abril, depois que um levantamento do Tribunal de Contas da União (TCU) detectou irregularidades no contrato firmado entre o ministério e o Ibrasi. O valor do convênio fraudado é R$ 4,4 milhões. A PF estima que dois terços dos recursos tenham sido desviados pelo grupo.

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