Política

Dilma convoca ministro do Desenvolvimento para explicações

Presidente quer evitar que crise política atinja Fernando Pimentel, indicado pessoal dela

Presidente quer evitar que crise política atinja Fernando Pimentel, indicado pessoal dela
Presidente quer evitar que crise política atinja Fernando Pimentel, indicado pessoal dela Foto : Wilson Dias / ABr / CP
Para tentar evitar que a crise política atinja também o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), a presidente Dilma Rousseff ordenou, neste domingo, que o ministro Fernando Pimentel voltasse a Brasília e detalhasse sua atuação como consultor entre 2009 e 2010. Reportagem publicada pelo jornal O Globo, no sábado, sugere tráfico de influência em licitações da prefeitura de Belo Horizonte e a não prestação de serviços pagos pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg).

A pedido da presidente, Pimentel compareceu a seu gabinete para informar sobre o trabalho da sua empresa, a P-21 Consultoria, e os contratos assinados nos últimos dois anos, período em que ficou afastado de cargos públicos. Pimentel deixou a prefeitura de Belo Horizonte no final de 2008 e assumiu o MDIC no início deste ano, com a eleição de Dilma.

"A presidente pediu que eu agisse com transparência e normalidade porque eu não tenho nada a esconder", garantiu o ministro. "Não feri nenhum preceito ético ou moral. Estou perplexo com tamanho espaço para um assunto privado", avaliou.

Caso seja atingido, Pimentel seria o primeiro ministro da cota da presidente afetado por denúncias. Os demais denunciados foram herdados da gestão Lula ou impostos pelos partidos da base aliada. Neste domingo, Carlos Lupi entregou o cargo no Ministério do Trabalho, alegando "perseguição política".

Pimentel disse que, nos dois anos em que a consultoria funcionou, prestou serviço a três empresas. Os contratos, juntos, somaram quase R$ 1,9 milhão. O ministro garante que sua atuação foi apenas na área privada.

"Eu conheço todas as empresas de Minas Gerais. Esta é a vantagem de eu ter ficado 16 anos na prefeitura de Belo Horizonte", argumentou. Antes de ser prefeito, Pimentel ocupou cargos de primeiro escalão na prefeitura. Ele mostrou documento, assinado em 10 de dezembro de 2010, no qual se afasta da administração da consultoria.

Pimentel frisou os rendimentos recebidos no período são compatíveis com cargo de executivo no País. Segundo ele, após o pagamento de tributos e custos da empresa, recebeu em torno de R$ 1,2 milhão em 24 meses. "Isso dá cerca de R$ 50 mil por mês. É uma remuneração compatível com o mercado", ponderou. Pimentel não quis fazer associações com os serviços prestados por ele e o ex-ministro da Casa Civil, Antônio Palocci, que deixou o governo depois de denúncia de tráfico de influência para prestar serviços de consultoria. "Não vou julgar o Palocci. O caso dele é o caso dele. Eu trabalhei, emiti nota fiscal e paguei os tributos", afirmou.


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