Política

Dilma convoca reunião para buscar saída para crise

Prefeitos querem que governo federal subsidie transporte nas metrópoles

Dilma convoca reunião para buscar saída para crise
Dilma convoca reunião para buscar saída para crise Foto : Evaristo Sá / AFP / CP
Em um esforço de articulação política para responder às manifestações de rua, a presidente Dilma Rousseff (PT) convocou os prefeitos das capitais para reunião nesta segunda-feira, às 16h, no Palácio do Planalto. A presidente convidou também os governadores para participarem do encontro em Brasília. Um "pacto" para melhoria dos serviços públicos, anunciado por Dilma em pronunciamento na última sexta-feira, deve ser proposto e alinhavado entre as lideranças dos executivos das capitais e dos governos, numa tentativa de atender a um dos principais alvos dos protestos que se alastraram pelo país nas últimas semanas.

Uma das ideias a serem apresentadas a Dilma se refere à Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), imposto que incide sobre a importação e a comercialização de gasolina, diesel, querosene de aviação e derivativos, inclusive o derivado de gás natural e de nafta, e álcool etílico combustível.

Hoje, do total arrecadado, 71% vão para o orçamento da União, e os outros 29% são distribuídos entre os estados e o Distrito Federal, em cotas proporcionais à extensão da malha viária, ao consumo de combustíveis e à população.
A Cide, segundo o prefeito José Fortunati, presidente da Frente Nacional de Prefeitos, poderia ter seus recursos voltados às melhorias do transporte público de massa. A outra proposta, que será defendida por ele em nome dos colegas de outras capitais brasileiras, prevê que o regime especial de incentivos para o transporte coletivo seja aprovado em caráter de urgência.

Amanhã, o governo federal deve anunciar também programa de R$ 100 milhões para bolsas em residências médicas, principalmente em pediatria, oncologia e anestesiologia. O objetivo é zerar, em 2014, déficit de quatro mil vagas - são cerca de 15 mil os formandos em Medicina a cada ano, e 11 mil os postos disponíveis. O atendimento à saúde da população tem sido outra das reivindicações dos jovens que ocupam as ruas pelo país.

Prefeitos entregarão lista de pedidos

Antes do encontro com a presidente Dilma Rousseff, às 16h, no Palácio do Planalto, os prefeitos das capitais terão reunião para fechar uma agenda de solicitações urgentes a serem encaminhadas ao governo federal.

Liderados pelos prefeitos José Fortunati (PDT) e Fernando Haddad (PT), de São Paulo, eles discutirão às 12h na sede da Frente Nacional de Prefeitos o rumo do encontro. Devem redigir também um documento com um balanço do saldo dos protestos em suas cidades. Duas das antigas reivindicações da entidade, a contratação de médicos estrangeiros para atuar no país e a desoneração do transporte público, temas que entraram na agenda de Dilma a partir dos protestos, devem abrir as reivindicações dos prefeitos.

Além da presidente, devem participar das conversas os ministros da Justiça, José Eduardo Cardozo; da Saúde, Alexandre Padilha; da Casa Civil, Gleisi Hoffmann; das Relações Institucionais, Ideli Salvatti; da Educação, Aloizio Mercadante; e das Cidades, Aguinaldo Ribeiro, além do secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, e do titular da Controladoria Geral da União, Jorge Hage.

A presidente também se reunirá com os governadores, não estando definido ainda se haverá encontro separado dos prefeitos. O governador Tarso Genro embarca no final da manhã de hoje para encontrar a presidente. Ontem, ele defendeu o debate sobre a possibilidade de que candidatos disputem as eleições sem estarem filiados a partidos políticos. Na manifestação, divulgada através de um vídeo postado pelo Palácio Piratini na Internet e onde ele conversa com o chefe da Casa Civil, Carlos Pestana, e com o secretário do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, Marcelo Danéris, Tarso sugere que o momento é propício para a formatação de uma assembleia constituinte, realizada de forma simultânea com a próxima eleição. "Precisamos encaminhar um segundo passo para fortalecer a democracia política do Brasil. Termos uma assembleia constituinte originaria, diretamente vinculada à reforma da Constituição que tenha a participação dos partidos e, pela primeira vez, a possibilidade de candidato sem partido", propôs.

Congresso tenta criar agenda positiva

Numa tentativa de responder às manifestações de rua em todo o país, o Congresso planeja tirar da gaveta projetos que atendam à agenda dos protestos, que cercaram duas vezes na semana passada a sede do Legislativo. Os presidentes da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), encomendaram às assessorias, segundo o jornal Folha de São Paulo, levantamento de medidas em tramitação nas duas Casas que contemplem a "pauta das ruas". A ideia é resgatar propostas para as áreas de segurança, saúde, educação e transporte público.

Após rodada de conversas com o vice-presidente, Michel Temer, peemedebistas insistiam também na votação da medida provisória que define a distribuição dos royalties do pré-sal e do Fundo de Participação dos Estados. Um dos alvos da onda de manifestações, o projeto que limita o poder de investigação do Ministério Público deve ser colocado em votação no dia 3 de julho, antes do recesso.

Também para evitar novos desgastes, aliados da presidente Dilma Rousseff prometem mudar de estratégia para aprovar o projeto que inibe novos partidos, limitando acesso a tempo de TV e fundo partidário. O texto afeta Marina Silva, que reúne assinaturas para fundar sua "Rede da Sustentabilidade". A orientação é empurrar a votação da proposta até outubro, prazo final da legislação eleitoral. As dúvidas sobre a viabilidade jurídica das novas siglas dificultariam a migração de governistas.

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