Política

Dilma defende que emergentes protejam suas economias

Presidente abriu assembleia geral da ONU em Nova Iorque

Dilma foi a primeira a falar em assembleia da ONU
Dilma foi a primeira a falar em assembleia da ONU Foto : Emmanuel Dunand / AFP / CP
A presidente Dilma Rousseff defendeu nesta terça-feira, na Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), o direito dos países emergentes de proteger suas economias, em meio às pressões das potências industrializadas. "Não podemos aceitar que medidas comerciais legítimas de defesa dos países em desenvolvimento sejam injustamente classificadas de protecionismo", afirmou Dilma no discurso de abertura do encontro anual da ONU em Nova Iorque.

Primeira chefe de Estado a falar na assembleia da ONU, Dilma assinalou que o uso desse tipo de medidas faz parte das regras da Organização Mundial do Comércio (OMC). A presidente atacou o protecionismo e todas as formas de manipulação comercial, entre elas a política monetária das nações mais ricas do mundo que provocaram "uma valorização artificial das moedas dos países emergentes". "A política monetária não pode ser a única resposta ao crescente desemprego, aumento da pobreza e falta de futuro que afeta os segmentos mais vulneráveis da população do mundo", destacou.

O Brasil e outros países emergentes vêm sofrendo, desde o início da crise econômica internacional, uma forte pressão em alta de suas moedas por causa da política monetária expansionista, principalmente dos Estados Unidos, para enfrentar a recessão.

Maior controle de órgãos internacionais

Para a presidente, é fundamental que os órgãos internacionais, como o G20 (países mais desenvolvidos do mundo), o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI), passem a atuar no controle da guerra cambial e do estímulo do crescimento econômico. Dilma chamou esses órgãos de “mecanismos multilaterais” e alertou sobre as ameaças ao mundo atual.

“A recessão só agudiza os acontecimentos. (É necessário) um amplo pacto contra a desesperança que provoca o desemprego e a falta de oportunidades”, disse em referência às medidas de contenção adotadas por alguns países em busca de soluções para impedir o agravamento causado pela crise econômica internacional.

Dilma reiterou que as dificuldades, que citou há um ano, quando abriu a 66ª Assembleia Geral das Nações Unidas, ainda permanecem apenas com alguns “novos contornos”. “Constato a permanência de muitos problemas que nos afligia cuja solução é cada vez mais urgente”, advertiu ela. “A crise econômica ganhou novos retornos, a opção por políticas ortodoxas agrava gerando reflexos em países emergentes.”

Em uma crítica aos líderes políticos dos países europeus e dos Estados Unidos, a presidente disse que “as principais lideranças ainda não encontraram o caminho” para articular alternativas para a economia associadas à inclusão social. Segundo ela, essa ausência de alternativas “afeta as camadas mais vulneráveis da população” causando a fome, o desemprego e a desilusão.

“A história revela que a austeridade quando exagerada e isolada do crescimento derrota a si mesma. [No Brasil nós] aumentamos nossos investimentos em infraestrutura e combate à inflação, de inclusão social e combate à pobreza. Reduzimos a carga tributária e o custo da energia”, disse Dilma, informando que mais de 40 milhões de brasileiros foram retirados da pobreza nos últimos anos.



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