Para a presidente, metas e prazos do programa foram superados e que "falta pouco para que não haja mais brasileiros na extrema pobreza". "Por não termos abandonado nosso povo, a miséria está nos abandonando", disse a presidente, acrescentando que o Brasil retirou pessoas dessa situação por ter sensibilidade, honestidade e coragem política.
Segundo Dilma, além da superação por meio da renda, é preciso levar cidadania e oportunidades. "Nosso desafio é garantir escola em tempo integral, alfabetização na idade certa, creches", destacou. "Agora que acabamos com a miséria visível, temos de ir atrás da miséria ainda invisível, aquela que esconde dos nossos olhos, dos nossos programas e das estatísticas oficiais", completou.
Dilma destacou que é preciso preencher as lacunas do cadastro único dos programas sociais do governo federal, preenchendo-as com nome e endereço, com a tipificação de cada família que ainda não recebe os benefícios do Brasil sem Miséria. A presidente propôs informalmente um grande campeonato pela justiça e igualdade, no sentido de buscar as pessoas que estão fora do levantamento que serve como porta de entrada para os programas sociais. "Vamos todos juntos, governo federal, estados, municípios e movimentos sociais. Vamos vencer esse campeonato e aí vamos entrar para a história como um dos países que, de forma determinada e acelerada, eliminou do seu território a pobreza extrema".
Tecnologia social
Ao falar do Bolsa Família, Dilma mencionou o Brasil possui a "tecnologia social mais avançada do mundo". "Sim, nós construímos a tecnologia social mais avançada do mundo", disse. ""Um fato que nos distingue hoje do mundo, que nos diferencia entre as nações, e é diferente do que está sendo praticado no mundo, com perdas de direitos e, hoje, com o surgimento de pessoas em situação de extrema precariedade em países que eram, até então, líderes na questão do bem-estar social", afirmou.
A presidente assinalou que "os conservadores" não entendem a originalidade do modelo de desenvolvimento brasileiro. "É por isso que as correntes do pensamento conservador, aquelas mesmas correntes que quase empurram o mundo para o abismo da crise, insistem em não entender o Brasil e a originalidade do nosso modelo".
Ao final da cerimônia, a presidente disse que se sentia emocionada e alegre ao ver que "juntos, conseguimos realizar a grande meta de superação da extrema pobreza". "Agora falta pouco, falta muito pouco, mas agora justamente estamos atingindo essa meta, temos de vê-la apenas como o início, um grande e maravilhoso início, do tempo em que o Brasil vai poder realizar em plenitude seu grande papel histórico para o seu povo e o mundo."
Ampliação do Brasil sem Miséria
Com a ampliação do Plano Brasil sem Miséria, anunciada nesta terça-feira, o governo vai retirar 22 milhões de brasileiros da miséria. A presidente assinou medida para garantir um complemento em dinheiro para 2,5 milhões de pessoas com renda per capita inferior a R$ 70, patamar para enquadramento na faixa de extrema pobreza.
O benefício é para pessoas que recebem o Bolsa Família, mas possuem renda per capita inferior a R$ 70 e, além disso, não se encaixam nas regras do programa Brasil Carinhoso, que só contempla quem tem filhos de até 15 anos. O governo avalia que a complementação de renda, a ser paga a partir de março, representará um custo adicional de R$ 773 milhões só neste ano.