No discurso, a presidente reconheceu que houve atraso na execução do Programa Minha Casa, Minha Vida para os municípios com menos de 50 mil habitantes. "A partir de agora, todos os municípios com menos de 50 mil habitantes podem acessar o Minha Casa, Minha Vida. Não vamos mais deixar que haja seleção. Estamos passando para a Caixa e o Banco do Brasil a execução do programa nesses municípios". No total, o programa já entregou 1,3 milhão de moradias e contratou mais 1,4 milhão de unidades. A meta do programa é entregar, até o final de 2014, 2,7 milhões de moradias.
Dilma também divulgou que o governo federal vai investir mais de R$ 600 milhões para a Saúde por meio do Piso de Atenção Básica (PAB). A presidente aproveitou a oportunidade para falar sobre o pacote de medidas do governo federal para a área que prevê, entre outras coisas, a importação de médicos do exterior e a obrigatoriedade de estudantes de medicina — formados em universidades públicas – atuarem por dois anos no Sistema Único de Saúde (SUS): "Tenho certeza de que a população brasileira, em todos os rincões desse País, quer dignidade. Não tem nada mais caro, valoroso, para alguém que o direito à vida." A presidente afirmou que ouviu pesquisas, movimentos sociais e prefeitos e que estes reclamam da falta de médicos em todos os lugares do País.
Ao iniciar o discurso, Dilma destacou a importância da interlocução entre municípios, Executivo federal e Legislativo. Segundo ela, o objetivo desse diálogo é construir uma melhor política pública para a população do País. A presidente reafirmou a importância da parceria entre os três entes federativos – União, estados e municípios – para oferecer melhores serviços públicos.
O presidente da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), Paulo Ziulkoski, criticou a falta de transparência no País. "Todo mundo fala em pacto, só que o pacto que queremos colocar aqui e que a rua quer é o pacto da verdade. Não dá mais pra maquiar nada do Brasil", declarou. Ele pediu que os municípios "abram" as prefeituras, exerçam plenamente a transparência e chamem a população para se apropriar do que é dela.
Ziulkoski disse ainda que as manifestações "não são contra o governo federal, são contra todos nós e a favor de nós". Ele aproveitou o discurso para criticar a carga tributária no Brasil e disse que é necessário terminar com a renúncia fiscal imediata no ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços).
Tumulto
A presença da presidente Dilma provocou um princípio de tumulto em frente do auditório onde ocorre o evento. Como o local estava muito cheio, as portas foram fechadas e foi impedida a entrada de cerca de 200 pessoas. Do lado de fora, houve protesto e gritos de "fora Dilma".
Participantes do evento também reclamaram da falta de lugares na plateia. Entretanto, quando a presidente Dilma foi anunciada, todos aplaudiram.