Política

Dilma oficializa a entrada da Venezuela no Mercosul

Presidente afirmou que inclusão do país amplia possibilidades do bloco

Presidentes da Venezuela, Argentina e Uruguai participaram da cerimônia no Palácio do Planalto
Presidentes da Venezuela, Argentina e Uruguai participaram da cerimônia no Palácio do Planalto Foto : Wilson Dias / ABr
A presidente Dilma Rousseff, na condição de presidente Pro Tempore do Mercosul, acaba de oficializar a inclusão da Venezuela no bloco econômico, em declaração no Palácio do Planalto, na presença dos presidentes da Venezuela, Argentina e Uruguai. Segundo a presidente, a inclusão da Venezuela amplia possibilidades do bloco. Ela convidou todos os setores empresariais a participarem deste momento de maior abertura de fronteira.

Durante a cerimônia, Dilma Rousseff falou sobre a situação no Paraguai e disse que a expectativa do grupo é de que o país normalize sua situação institucional interna para que possa reaver seus plenos direitos no Mercosul. O bloco econômico suspendeu o Paraguai das decisões do Mercosul, depois que Fernando Lugo foi afastado da Presidência do País por pressões políticas internas.

"O que moveu a totalidade da America do Sul (em afastar o Paraguai do bloco) foi o compromisso inequívoco com a democracia. Os países do Mercosul assim como os da Unasul têm agido de forma coordenada nessa questão com o sentido único de preservar e fortalecer a democracia em nossa região", disse.

"Não somos favoráveis a retaliações econômicas que possam causar prejuízos ao povo paraguaio. Mantivemos a normalidade dos grupos econômicos e comerciais e dos projetos em execução no Paraguai", disse. "Nossa perspectiva é que o Paraguai normalize sua situação institucional interna para que posa reaver seus direitos plenos no Mercosul."

Atenção aos mais pobres

Em meio ao agravamento da crise econômica internacional e às dificuldades de alguns países ricos, especialmente do bloco europeu, o presidente do Uruguai, José Pepe Mujica, defendeu que os líderes políticos prestem atenção aos mais pobres, que, segundo ele, escreverão a história do mundo. De acordo com Mujica, o desafio "é enorme", mas é preciso enfrentá-lo. Para ele, a incorporação da Venezuela ao Mercosul é um marco histórico que fortalece a determinação de enfrentamento dos efeitos da crise e da inclusão social.

“Os mais pobres, a gigantesca maioria, não encontram condições de se expressar. A grande maioria está ali nos contemplando, contemplando este debate, e o nosso dever é incluir para que participem. Estamos em um momento histórico. Estamos escrevendo a história do futuro”, disse Mujica, na cerimônia de incorporação da Venezuela, no Palácio do Planalto.

Ao mencionar os efeitos da crise econômica internacional no mundo, o presidente uruguaio disse que a América do Sul vive uma situação oposta e um momento histórico. “É agora ou nunca. O desafio é enorme”, resumiu. Pepe Mujica observou que o mundo industrial está em crise e, agora, parece que os pobres são eles. “Nossos imigrantes que estavam na Europa estão voltando, agora que acertamos tanto as nossas políticas. O fato é que nunca, ao longo da história da América Latina, tivemos oportunidades como essa”, completou.


O Paraguai era o único país do bloco econômico que ainda não havia aprovado o ingresso da Venezuela. Com sua suspensão, ficou aberto o caminho para a admissão do novo sócio. A cerimônia que oficializa o ingresso da Venezuela não significa que o país será integrado imediatamente ao bloco. A incorporação, na prática, só ocorrerá em agosto, quando todos os prazos tiverem sido cumpridos, atendendo às normas do Mercosul.

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