Política

Dilma pede união contra a crise e defende soberania palestina

Presidente falou do orgulho de ser a voz feminina a inaugurar o debate na ONU

Presidente foi a primeira mulher a abrir a Assembleia Geral da ONU
Presidente foi a primeira mulher a abrir a Assembleia Geral da ONU Foto : Don Emmert / AFP
Em discurso na 66ª Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), a presidente Dilma Rousseff pediu, nesta quarta-feira, a integração entre os países para enfrentar a crise mundial. "Ou nos unimos todos e saímos vencedores, ou sairemos todos derrotados." A presidente disse que sentia orgulho de ser a primeira voz feminina a inaugurar o debate, que ocorre em Nova Iorque (EUA). Dilma também defendeu o reconhecimento do estado da Palestina.

Sobre a economia, Dilma deu o exemplo do Brasil: "Mantemos os gastos do governo, a ponto de gerar superávit, sem que isso comprometa o crescimento". De acordo com a presidente, o País está fazendo a sua parte, "com sacrifícios", para amenizar a crise mundial.  “O mundo vive um momento delicado e, ao mesmo tempo, uma grande oportunidade. Enfrentamos uma crise econômica que pode virar uma ruptura política e social, capaz de provocar sério desequilíbrio”, explicou a presidente, avaliando que o problema pode resultar no aumento do desemprego. “Enquanto muitos governos se encolhem, a face mais amarga da crise, o desemprego, se amplia.”

Presidente critica manipulação do câmbio

“O Brasil tem sido menos afetado pela crise, mas sabemos que a força não é ilimitada. Há a oportunidade histórica de definir os compromissos que regem as relações internacionais. O mundo se defronta com uma crise e não haverá retomada do crescimento, enquanto não se intensificarem esforços de coordenação”, falou Dilma ainda sobre a crise. “O protecionismo deve ser combatido.”

“As políticas fiscais e monetárias devem ser objeto de avaliação mútua. É preciso impor controles à guerra cambial. Trata-se de impedir a manipulação do câmbio. A reforma das instituições financeiras deve prosseguir, aumentando a circulação os países emergentes.”

Todos têm direito de participar, afirma a presidente

Dilma atribuiu aos interesses políticos, a falta de soluções para a crise. Segundo ela, as nações ficam presas “à armadilha que não separa interesses partidários daqueles interesses da sociedade.”

“Não é por falta de recursos que os países não encontraram a solução e sim por falta de recursos políticos e por clareza de ideias”, afirmou Dilma. “Como todos os países sofrem as consequências da crise, todos têm o direito de participar das soluções”, ressaltou. “É significativo que seja a presidente de um país emergente que venha falar aqui sobre essa tragédia que assola os países desenvolvidos.”

“Brasil é vetor da paz”

Para Dilma, o mundo sofre com as consequências de intervenções que agravam os conflitos entre países. “A atuação do Conselho de Segurança (da ONU) é essencial e ela será tão mais acertada, quanto mais legítima forem suas decisões.”

A presidente afirmou que há uma falta de representatividade do conselho. “Não é possível protelar mais. O mundo precisa de um Conselho de Segurança que venha refletir a realidade contemporânea. O Brasil está pronto para assumir suas responsabilidades como membro do conselho”, disse.

“Vivemos em paz com nossos vizinhos. Abdicamos, por compromisso constitucional, do uso de energia nuclear para fins que não sejam pacíficos. O Brasil é um vetor de paz. Queremos para outros países o que queremos de nós mesmos”, afirmou. “Venho de um país onde descendentes de árabes e judeus convivem em harmonia”, comentando os conflitos entre Israel e Palestina.

“O Brasil está pronto para cooperar, mas lamento ainda não saudar, nessa tribuna, o ingresso pleno da Palestina nas Nações Unidas. Acreditamos que é chegado momento de termos a Palestina aqui representada em pleno título.”

Voz feminina é a voz da democracia, diz Dilma

“Pela primeira vez na história das Nações Unidas, uma voz feminina inaugura o debate-geral. É a voz da democracia e da igualdade se ampliando nessa tribuna, que tem o compromisso de ser a mais representativa do mundo. É com orgulho de mulher que vivo esse momento e divido essa emoção com mais da metade do mundo”, falou Dilma, recebendo aplausos do público.

“Tenho certeza de que esse será o século das mulheres. Palavras como vida alma e esperança pertencem ao gênero feminino. São também femininas duas outras palavras: coragem e sinceridade”, continuou.

Ban Ki Moon defende “saúde global”

Na abertura da Assembleia-Geral, o secretário-geral Ban Ki-Moon deu destaque para o que ele chamou de “guerra” às mudanças climáticas. “A guerra é única e todos. A solução para um único problema deve ser a solução para todos”, afirmou. “A gente não pode mais adiar uma decisão para a saúde global, porque os problemas ambientais afetam a todos”, acrescentou.

Durante sua manifestação, Ki-Moon também pediu ajuda para combater a fome na África, principalmente na Somália. Além disso, ele mencionou a criação de um fundo de emergência para ajudar países em crises financeiras. Ki-Moon fez um pedido para romper o impasse no Oriente Médio, em meio a uma luta diplomática entre israelenses e palestinos.

Assista ao discurso da presidente:

                                   


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