“Em relação à estabilidade (econômica), estamos atentos para a robustez fiscal do país. Isso significa maior controle da inflação. A estabilidade é importante neste momento em que há transição de política econômica, principalmente do Banco Central norte-americano, que está passando de uma política de expansão monetária para contenção da liquidez internacional”, declarou a presidente.
Dilma destacou ainda que a estabilidade econômica é um dos cinco pactos propostos em reunião com governadores e prefeitos na semana passada. Ela interrompeu a reunião ministerial, a terceira de seu governo, para dar esclarecimentos à imprensa. O encontro começou por volta das 17h e, de acordo com a presidente, ainda levará várias horas.
Dilma volta a defender plebiscito
Dilma confirmou que o plebiscito sobre reforma política, que ela irá sugerir à Câmara e ao Senado nesta terça, tratará de questões referentes a financiamento de campanha e ao padrão de voto vigente. Outros temas poderão ser incorporados, admitiu ela, que não deu nenhuma garantia do prazo para a realização da consulta popular.
Questionada sobre quais questões entrarão no plebiscito, Dilma respondeu: "Basicamente - não é que essas serão as únicas sugestões - (o plebiscito) diz respeito ao financiamento das campanhas e ao padrão eleitoral, melhor dizendo, padrão de voto vigente, distrital, misto, a esse tipo de questão".
De acordo com a presidente, o Palácio do Planalto não vai dar sugestão de perguntas, porque "não somos nós que fazemos as perguntas, as perguntas ficam entre o Senado e a Câmara de um lado e o próprio Tribunal Superior Eleitoral de outro, que formata as perguntas".
"Amanhã enviamos nossa sugestão no sentido de um plebiscito, apontando em linhas gerais as balizas que julgamos as mais importantes. Isso não significa que outras balizas e outros nortes não poderão aparecer", disse.
Na avaliação de Dilma, as manifestações no Brasil não são parecidas com os protestos em outros lugares do mundo, que são contra quadros de recessão, desemprego ou pedindo democracia e direitos humanos. “No Brasil, o que se quer são mais direitos, mais participação e mais, sem dúvida, ação do cidadão”, afirmou. “É também fundamental perceber que é preciso uma transformação para melhorar a representação do País”, disse Dilma. “Nós consideramos como melhor o plebiscito porque achamos que é importante que haja esse protagonismo da população e esse respeito às reivindicações”, resumiu.
A presidente interrompeu a reunião ministerial para falar com os jornalistas, ao lado do ministro do Esporte, Aldo Rebelo. Depois, o encontro com os ministros terá seguimento. Além de 37 ministros, os líderes do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), no Senado, Eduardo Braga (PMDB-AM), e no Congresso, José Pimentel (PT-CE), participam da reunião na residência oficial da Granja do Torto. Somente os ministros da Cultura, Marta Suplicy, e das Relações Exteriores, Antonio Patriota, que estão em viagem ao exterior, não estão no encontro, mas mandaram representantes.
Rotina de reuniões
No fim de semana, Dilma teve reuniões com os ministros das Comunicações, Paulo Bernardo, e da Saúde, Alexandre Padilha. Hoje pela manhã, a presidenta recebeu o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo.
Na semana passada, a presidente recebeu pela primeira vez em seu governo representantes de movimentos sociais e organizações da sociedade civil, que de alguma maneira participaram dos protestos. Dilma também reuniu prefeitos das capitais e governadores para apresentar as medidas que o governo deve adotar em resposta às demandas levadas às ruas durante as manifestações.
“Padrão Felipão”
Questionada se sua gestão é padrão Fifa, Dilma afirmou: “Meu governo é padrão Felipão”, em referência ao técnico da Seleção Brasileira. A presidente explicou que não foi ao Maracanã para ver a final da Copa das Confederações “porque não estava previsto” em sua agenda – na estreia do Brasil na Copa das Confederações, ela foi vaiada pela torcida –, mas que receberá a equipe campeã nos próximos dias.