Política

Dilma recebe documentos das mães da Praça de Maio

Reunião aconteceu na Casa Rosada, sede do governo argentino

Além de documentos e catálogos sobre direitos humanos, a brasileira foi presenteada com livros
Além de documentos e catálogos sobre direitos humanos, a brasileira foi presenteada com livros Foto : Alejandro Pagni/ AFP
A presidente Dilma Rousseff reuniu-se nesta segunda-feira com cerca de 20 representantes da associação Madres da Plaza de Mayo, na Casa Rosada, durante sua visita à Argentina. Esta foi a primeira viagem internacional da nova presidente e incluiu também uma reunião com a presidente Cristina Kirchner.

As representantes da associação, que luta pela investigação sobre o destino dos desaparecidos durante o regime militar argentino, entregaram a Dilma vasto material sobre o período de regime de exceção no país vizinho. Além de documentos e catálogos sobre direitos humanos, a brasileira foi presenteada com livros.

De acordo com o portal R7, ao chegar para o encontro com a presidente brasileira, a argentina Haydé Gastelu, integrante do grupo - Linha Fundadora, disse que a eleição de Dilma representa uma esperança para a questão dos direitos humanos.

Grupo Tortura Nunca Mais espera políticas de reparação no Brasil

A presidente do grupo Tortura Nunca Mais (seção Rio de Janeiro), Cecília Coimbra, espera que o encontro de Dilma Rousseff com militantes das organizações não governamentais (ONGs) Mães e Avós da Praça de Maio estimule o governo brasileiro a investigar crimes contra os direitos humanos ocorridos durante a ditadura militar (1964-1985) e fazer as reparações a vítimas e familiares de desaparecidos.

“Espero que essa agenda possa atualizar as marcas que ela (a presidente da República) traz”, disse Cecília em referência ao fato de Dilma Rousseff ter atuado na resistência contra a ditadura e ter sido torturada e encarcerada por “subversão”, no Presídio Tiradentes, em São Paulo, entre 1970 e 1972.

Segundo Cecília, o Brasil, diferentemente da Argentina, é um “país atrasado” na apuração de crimes e reparações. “É ainda preciso saber o que foi feito, como e quem é o responsável” cobrou ao dizer que as iniciativas dos governos de Fernando Henrique Cardoso (FHC) e Luiz Inácio Lula da Silva foram parciais. “Nenhum caso de desaparecimento foi esclarecido. Não houve vontade política”. Na Argentina, juntas militares e ex-presidentes da República inclusive foram presos após a redemocratização.

Na opinião de Cecília, alianças com “forças conservadoras” fizeram com que a transição política brasileira se desse como o ex-presidente e general Ernesto Geisel queria: “lenta, gradual e segura”, sem possibilidade de esclarecimento de crimes ocorridos.


Bookmark and Share