Após quase duas horas de reunião, Dilma disse que os dois governos decidiram fortalecer projetos bilaterais já existentes em áreas como produção de alimentos, energia elétrica, petróleo e desenvolvimento social. Os dois também discutiram novas possibilidades de parcerias nas áreas de abastecimento, segurança alimentar e garantia de suprimento energético.
“Manterei o nível elevado de relacionamento com Maduro, a exemplo do que mantive durante os anos que convivi com o ex-presidente Hugo Chávez”, relatou Dilma durante declaração à imprensa após o encontro. Os dois presidentes tiveram uma reunião privada e em seguida um encontro ampliado com ministros e autoridades dos dois países
Apesar da crise financeira internacional, segundo Dilma, o Brasil e a Venezuela conseguiram ampliar o comércio bilateral, que atingiu o recorde de US$ 6 bilhões em 2012. Dilma contou que o Brasil está disposto a analisar o aumento das importações de uréia e coque de petróleo (um substituto do carvão) venezuelanos para reduzir a vantagem brasileira na balança comercial entre os dois países. “Reiteramos disposição em buscar mais equilíbrio nesse intercâmbio”, sinalizou.
Ao tratar das relações multilaterais, Dilma disse que o Mercosul viverá “um momento histórico” a partir do segundo semestre deste ano, quando a Venezuela vai assumir pela primeira vez a presidência pro tempore do bloco. O comando do país à frente do Mercosul vai permitir, segundo Dilma, “um segundo ciclo de expansão do comércio e das cadeias produtivas, beneficiando especialmente o Norte e o Nordeste do Brasil e o Sul da Venezuela”. A presidente avaliou que o bloco será fortalecido "sem espírito de confrontação" nem ingerência externa. "Vamos fazer da vontade de união entre nossos países um exemplo para toda a região".
Dilma aproveitou o discurso para agradecer o apoio da Venezuela à candidatura do embaixador brasileiro Roberto Azevêdo à direção-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), eleito no começo da semana. O Brasil é a última etapa da viagem de Maduro pelos países do Mercosul – Uruguai e Argentina. Ele não foi ao Paraguai, que está suspenso do bloco há 11 meses, mas defendeu o fim da punição.