Política

Dilma reconhece tristeza por "injustiça" e "golpe" no processo de impeachment

Presidente deu entrevista à CNN e garantiu luta para se manter no cargo por "princípio democrático"

 Dilma disse que vai lutar não por conta do cargo, mas por princípio "democrático"
Dilma disse que vai lutar não por conta do cargo, mas por princípio "democrático" Foto : Valter Campanato / Agência Brasil / CP
Em mais uma entrevista à imprensa estrangeira, a presidente Dilma Rousseff voltou a condenar, nesta quinta-feira, o processo de impeachment, classificado por ela como golpe. Dilma disse que vai lutar não por conta do cargo, mas por princípio "democrático". Ela criticou a chegada ao poder por meio do que chamou de "eleições indiretas". "Estou mais triste, porque acho que a pior coisa para qualquer ser humano é ser vitima de injustiça. Estou sendo vítima. É o pior sentimento para um ser humano, porque você pode perder um ativo democrático dessa nação. Em minha história inteira, nunca pensei que iria experimentar de novo."

Ao canal norte-americano CNN, Dilma repetiu que não cometeu crime de responsabilidade e que um governante não pode deixar a posição que ocupa por impopularidade. "Quem quer meu impeachment, os líderes do impeachment têm denúncia e processos de corrupção", afirmou.

A entrevista foi exibida no canal às 18h, horário de Londres, 15h em Brasília. A presidente salientou que o fato de ser mulher é um fator relevante, que explica o processo que está sofrendo. "Eles frequentemente falam que sou uma mulher dura. E respondo sempre da seguinte forma: 'Sim, sou uma mulher dura, cercada por homens educados, gentis e amáveis. Só as mulheres são descritas como muito duronas no trabalho quando tomam uma posição", ironizou.

Questionada se não se sente uma grande política, comparada ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a presidente concordou que ele é melhor político do que ela. Referindo-se ao período que lutou contra a ditadura, Dilma disse ter resistência para lutar por suas convicções, e que é muito melhor viver na democracia.

Assim como em outras ocasiões, Dilma alegou que está sendo acusada por questões contábeis porque não podem tirá-la por corrupção. "Apoio qualquer mudança no Brasil, desde que seja baseada em votos livres. Não me apego a cargo, à posição de presidente, mas sou contra eleições indiretas", acrescentou.

Ao ser perguntada sobre os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, que ocorrerão em 99 dias, a presidente respondeu que vai se sentir triste se não for presidente quando o evento ocorrer. Na primeira quinzena de maio, os senadores vão decidir se ela deve ser afastada para que o mérito do processo de impeachment seja analisado.