Política

Dilma tenta pacificar relação com PMDB

Jantar previsto para esta segunda-feira reúne líderes de partidos aliados

Renan Calheiros tem criticado isolamento do PMDB
Renan Calheiros tem criticado isolamento do PMDB Foto : Pedro Ladeira / Folhapress / CP
A presidente Dilma Rousseff convidou integrantes da cúpula do PMDB para um jantar nesta segunda-feira no Palácio da Alvorada. O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), foi informado do convite por uma ligação do vice-presidente Michel Temer, também presidente nacional do partida. Deve participar do encontro o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), desafeto de Dilma. “Conversar é sempre recomendável, não arranca pedaço. É um exercício permanente. A responsabilidade do PMDB é dar fundamento da coalizão, podemos até não conseguir, podemos até tentar e essa é uma oportuna para tentar”, afirmou Calheiros, na última quinta-feira.

O presidente do Senado tem sido um dos maiores críticos dentro do PMDB da falta de protagonismo do partido nas principais decisões do governo. Na última terça-feira, um dia após participar de um jantar com os ministros da área econômica e o chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, em que foi pedido apoio do partido para aprovar o pacote fiscal no Congresso, Calheiros reclamou que a coalizão do governo da presidente Dilma Rousseff está “capenga”. Ele exigiu ainda que o governo também se sacrifique no aperto fiscal, não deixando o ônus apenas para o aliado.

O jantar desta segunda-feira é mais um esforço do governo para se reaproximar do principal aliado. O objetivo é sinalizar aos peemedebistas que Dilma pretende incluir a legenda nas decisões políticas do governo. Foram convidados, além de Temer, Calheiros e Cunha, os seis ministros indicados pelo PMDB e os líderes do partido no Senado e na Câmara dos Deputados.

Na última segunda-feira, Temer havia reunido os ministros da área econômica e a cúpula do PMDB em um jantar no Palácio do Jaburu, residência oficial da Vice-Presidência. Na ocasião, os ministros Joaquim Levy (Fazenda), Nelson Barbosa (Planejamento) e Alexandre Tombini (Banco Central) apresentaram ao partido de Temer as medidas de ajuste fiscal do governo e a margem de negociação com o Congresso.

Após o jantar, a ministra da Agricultura, Kátia Abreu – uma das seis ministras da cota do PMDB –, afirmou que os colegas da área econômica foram “convincentes” ao demonstrar à sigla aliada a necessidade de se aprovarem no parlamento as duas medidas provisórias que promovem medidas de ajuste fiscal. Na avaliação de Temer, o jantar serviu como “primeiro passo” para o PMDB votar a favor das medidas provisórias.