Deputados estaduais formalizarão nesta terça-feira um bloco de oposição à direita ao governo Eduardo Leite (PSD) na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul. Um deputado do Novo e do PL e parte das bancadas de Podemos e Republicanos passarão a atuar como bloco partidário de oposição à gestão estadual no Legislativo. O Parlamento gaúcho já conta com um bloco de oposição à esquerda, formado por PT, PCdoB e PSol.
Até o momento, concordaram em se juntar ao grupo os deputados Felipe Camozzato (Novo), que será o líder do bloco; Capitão Martim (Republicanos), vice-líder; Delegado Zucco (Republicanos), Gustavo Victorino (Republicanos), Cláudio Branchieri (Podemos), Paparico Bacchi (PL) e Kelly Moraes (PL). Após a publicação desta reportagem, na manhã desta terça-feira, os outros dois parlamentares do PL aderiram ao bloco: Adriana Lara e Cláudio Tatsch.
São mais nove deputados que atuarão formalmente como oposição ao governador gaúcho. Somados aos 14 do bloco de oposição à esquerda, agora são 23 parlamentares que oficialmente se opõem a Leite, de um total de 55.
O Republicanos se dividiu. A situação não é novidade: desde o início da legislatura, dois deputados se identificam como governistas e contam com cargos no Palácio Piratini, enquanto os outros três, que participam do bloco, são oposição a Leite.
Dos quatro partidos que têm pelo menos parte de sua bancada integrando o bloco, dois possuem pastas no Palácio Piratini: Ronaldo Santini (Podemos) comanda a Secretaria de Turismo, enquanto Carlos Gomes (Republicanos) chefia a Secretaria de Habitação e Regularização Fundiária.
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O objetivo do grupo é atuar de forma mais articulada como bloco contrário à agenda política de Eduardo Leite, mas de forma separada da oposição à esquerda no Legislativo. “Tem o bloco de oposição à esquerda, que defende retrocesso, tem o bloco de oposição ao Rio Grande do Sul (aliados ao governo), então tem que ter um bloco que defende os gaúchos”, ironizou Camozzato, que estará à frente do grupo.
“A ideia do bloco é poder atuar em conjunto em pautas específicas e dando recado à população que existe grupo parlamentares pensando em pauta de Estado. A formação do bloco tem gente que votou com o governo, que esteve no governo, mas que entendeu que, no segundo mandato do Eduardo Leite, o governo virou uma plataforma eleitoral e palanque político”, criticou Camozzato.
Movimento mira as eleições 2026
O bloco também antecipa movimentos para as eleições de 2026. PL e Novo, por exemplo, já oficializaram uma aliança com, inclusive, pré-candidaturas ao governo gaúcho e ao Senado Federal. Podemos e Republicanos ainda não definiram posicionamento para o pleito do ano que vem.
“O objetivo é unificar o nosso discurso e começar a pautar aquilo que nosso grupo defenderá para as eleições de 2026. Basicamente é isso, além de acompanhar os assuntos semanais que chegam à Assembleia Legislativa, para tomarmos posições coletivas em relação aos projetos”, afirmou Paparico.
Podemos reintegra compromisso com o governo
Após a publicação desta matéria, o Podemos procurou a reportagem para reafirmar compromisso com a gestão Eduardo Leite e ressaltar que o posicionamento de um dos dois deputados estaduais do partido, Claudio Branchieri, é individual. Segue, abaixo, a nota do partido.
Cumpre esclarecer que a informação de que o Podemos integra o bloco de direita de oposição ao governador Eduardo Leite não procede. O Podemos permanece na base do governo e, inclusive, foi o primeiro partido a declarar apoio à reeleição do governador Eduardo Leite, reafirmando seu compromisso com a atual gestão e com os projetos em andamento para o desenvolvimento do Rio Grande do Sul.
Importante destacar que o deputado estadual Prof. Claudio Branchieri, que historicamente sempre atuou de forma independente, tomou a decisão pessoal de integrar o grupo de oposição de direita na Assembleia Legislativa. Essa é uma posição individual e não reflete a linha partidária. O Podemos, enquanto partido, mantém-se leal ao governo Eduardo Leite e segue trabalhando de forma responsável e construtiva em prol da população gaúcha.