Política

Discursos sobre alianças e corrupção marcam debate de candidatos na Rádio Guaíba

Concorrentes ao governo do Estado tiveram oportunidade de expor ideias e responder perguntas de jornalistas e ouvintes

Sem grandes embates, candidatos ao Piratini realizam debate na Rádio Guaíba
Sem grandes embates, candidatos ao Piratini realizam debate na Rádio Guaíba Foto : Antônio Sobral
Os candidatos ao governo do Rio Grande do Sul participaram de debate, nesta sexta-feira, promovido pela Rádio Guaíba. Em seis blocos, eles fizeram questionamentos e responderam a perguntas de jornalistas e ouvintes.

José Fogaça (PMDB), Tarso Genro (PT), Pedro Ruas (Psol), Montserrat Martins (PV), Arondo Medina (PRP) e Carlos Schneider (PMN) protagonizaram uma discussão pouco acalorada. A governadora Yeda Crusius (PSDB) não compareceu ao encontro, alegando compromisso na Serra gaúcha.

A temperatura subiu em alguns momentos, especialmente quando foi tratada a questão das alianças entre os partidos políticos e da corrupção. Tarso Genro e José Fogaça, que aparecem no topo das pesquisas, tiveram a oportunidade de se confrontarem diretamente.

A repeito das alianças, Pedro Ruas disse que o PT faz coligações questionáveis. Tarso Genro rebateu afirmando que o seu partido faz escolhas por siglas com representação política.

Ao responder questão sobre corrupção para o candidato do PSol, que lembrou o caso de desvios de verbas no Detran, Fogaça ressaltou que não se pode atribuir a um partido os “erros cometidos por alguns”. Sobre esse assunto, Tarso Genro disse que a corrupção nunca foi tão combatida como no atual governo federal.

Bloco 1

No primeiro bloco do programa, em que os participantes escolheram um oponente para debater, Tarso Genro (PT) e Pedro Ruas (PSol) protagonizaram uma discussão sobre alianças políticas. O petista questionou se o vereador de Porto Alegre aceitaria uma coligação com o PDT, já que cita figuras importantes da legenda, como Leonel Brizola e Darci Ribeiro. Ruas respondeu que busca os ensinamentos das lideranças trabalhistas, como a aplicação da escola de turno integral. “E isso não tem nada a ver com o PDT atual. Jamais convidaria integrantes do atual PDT”, disse.

As demais perguntas do primeiro bloco não tiveram tom de embate. José Fogaça, ao responder questionamento de Montserrat Martins sobre saúde, disse que nenhuma política pública se faz sem um trabalho de parceria entre Governo Federal e municípios. Ele defendeu o trabalho do governo estadual como intermediador.

Bloco 2

No segundo bloco, os candidatos responderam a perguntas de jornalistas da Rede Record e escolheram um opositor para debater o assunto questionado.  Ruas, que criticou a governadora Yeda Crusius por não participar do programa, escolheu Fogaça para discutir o caso de corrupção no Detran.

“Essa questão do Detran é uma vergonha.” Fogaça concordou que o assunto era grave, mas que estava sendo investigado e “sob controle”. “Nós não podemos atribuir ao partido os erros cometidos por alguns. Eu não teria problema em ter o PP em minha coligação.” Ele afirmou que é preciso haver um debate para definir se o Detran deveria ser totalmente estatizado.

Bloco 3

Carlos Schneider informou, no terceiro bloco – o qual tinha tema livre – que está entre seus planos, caso seja eleito governador, extinguir a Fepam. Segundo ele, há um impasse na área do meio ambiente no Estado. Fogaça, por sua vez, afirmou que tem como meta fortalecer o órgão, ampliando seus quadros.

No primeiro momento em que Fogaça e Tarso discutiram diretamente, o peemedebista escolheu o petista para perguntar a sua opinião sobre os polos de pedágio. “Vamos mudar completamente o modelo instituído pelo governo Britto, porque é caro e cerca a população”, respondeu o ex-ministro da Justiça.

Tratando do mesmo assunto, Fogaça defendeu que um governador precisa saber negociar. Ele afirmou que fez isso em sua gestão na Capital “Como prefeito de Porto Alegre fiz assim, negociando com o governo federal e estadual, ambos de partidos diferentes.”

Bloco 4

No quarto bloco, os participantes responderam a perguntas de rádios do interior. Tarso falou que buscará recursos federais para incrementar estradas, se referindo ao problema da falta de investimento na Metade Sul do Estado. Na opinião de Schneider, para melhorar o escoamento da produção de grãos, é preciso uma discussão para remodelar o sistema de transporte.

Fogaça tinha a opção de debater com Tarso, mas escolheu Montserrat para tratar sobre a Corsan. Ele demonstrou preocupação com o tratamento de esgoto: “Temos elevado índice de desenvolvimento humano, mas no tratamento de esgoto estamos atrasados. Devemos investir maciçamente nessa área”. Montserrat enfocou a questão do desenvolvimento, afirmando que é necessário uma política que integre o meio ambiente à economia.

Bloco 5

No quinto bloco, os candidatos responderam a questionamentos dos ouvintes da Rádio Guaíba. A corrupção foi trazida outra vez à discussão. Para Medina, ela pode ser enfrentada com Educação. Tarso afirmou que é preciso acionar os controles do Estado e “não ter compadrismo político”. “A corrupção está tão evidente nos jornais, porque ela nunca havia sido tão combatida como no atual governo federal”, disse.