Política

Doações de empresas devem ser vetadas para eleições de 2016

Mesmo que Dilma sancione mudança na lei, nova contestação seria necessária no STF

As campanhas políticas das eleições municipais de 2016 não poderão contar com doações de empresas, de acordo com a decisão tomada nesta quinta-feira pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo o presidente do STF, Ricardo Lewandowski, e o ministro Luiz Fux, relator da ação na qual a matéria foi discutida, nem mesmo a eventual sanção da lei aprovada na semana passada pela Câmara dos Deputados vai poder liberar as contribuições para partidos e candidatos no ano que vem.

No dia 9 de setembro, a Câmara aprovou a minirreforma eleitoral e regulamentou as doações. O texto espera decisão da presidente Dilma Rousseff, que pode sancioná-lo ou vetá-lo. Se a presidente sancionar a lei, vai ser preciso uma nova ação para questionar a validade das doações no Supremo, devido à posição contrária adotada pelo tribunal.

Segundo Lewandowski, a decisão da Corte já está valendo. A partir da eleição do ano que vem, somente serão permitidas doações de pessoas físicas. Os partidos também continuarão a contar com recursos do Fundo Partidário, garantidos pela Constituição. Pela regra atual, a doação de pessoas físicas é limitada a 10% do rendimento bruto do ano anterior.

Na sessão, por 8 votos 3, o Supremo decidiu proibir o financiamento privado de campanhas políticas. A Corte encerrou o julgamento, iniciado em 2013, de uma ação da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que questionou artigos da Lei dos Partidos Políticos e da Lei das Eleições, que permitiam as contribuições.

Entidades comemoraram

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) consideraram a decisão do Supremo histórica para a democracia. Para o presidente da OAB, Marcus Vinicius Furtado Coêlho, a partir de agora os mandatos dos políticos pertencerão aos eleitores. A entidade foi autora da ação que motivou a decisão da Corte. Segundo ele, os recursos que antes eram empregados para financiar “campanhas hollywoodianas” poderão ser investidos na economia.

“A partir de agora, os mandatos dos políticos pertencerão efetivamente a seus eleitores. As empresas poderão se dedicar integralmente àquilo que sabem fazer de melhor: gerar empregos para a população”, afirmou. Presidente da AMB, o desembargador João Ricardo Costa disse que o Supremo resgatou o valor da representatividade dos cidadãos.