Política

Doleiro nega ter recebido pedido de Palocci para ajudar campanha de Dilma

Alberto Youssef presta depoimento na Justiça Federal em Curitiba

Ideli, Carvalho e Planalto tinham conhecimento de esquema de corrupção , afirma Youseff
Ideli, Carvalho e Planalto tinham conhecimento de esquema de corrupção , afirma Youseff Foto : Geraldo Bubniak / Folha Press / CP
O doleiro Alberto Youssef negou nesta segunda-feira conhecer o ex-ministro Antonio Palocci ou qualquer assessor dele. Questionado por integrantes da CPI que estão em Curitiba para ouvi-lo, Youssef negou depoimento feito pelo ex-diretor Paulo Roberto Costa, que afirmou que o doleiro tinha repassado R$ 2 milhões a Palocci para a campanha da presidente Dilma Rousseff em 2010.

"Não conheço Antonio Palocci. Ele nunca me fez nenhum pedido para que angariasse recurso para campanha de 2010 de Dilma Rousseff", disse o doleiro aos deputados. Youssef disse que Paulo Roberto Costa não mente necessariamente, mas pode estar equivocado.

"Não digo que seja mentira, pode ser que outra pessoa tenha pedido esse recurso a ele e ele tenha viabilizado esse recurso através de outra pessoa", disse reforçando que o suposto repasse não passou por ele.

Youssef confirma R$ 10 milhões para abafar CPI

O doleiro Alberto Youssef abriu seu depoimento aos parlamentares da CPI da Petrobrás, em Curitiba, base das investigações da Operação Lava Jato, nesta segunda-feira, falando sobre o pagamento de R$ 10 milhões para abafar as investigações de outra comissão parlamentar em 2010, que apurava irregularidades na estatal e envolveu suposta exigência do ex-presidente do PSDB Sergio Guerra, morto em 2014.

"Em 2010, fui cobrar a empreiteira Queiroz Galvão para que ela pudesse pagar seus débitos na diretoria de Abastecimento da Petrobrás e fui informado que eles teriam repassado R$ 10 milhões a pedido do Paulo Roberto Costa", afirmou Youssef, em uma das primeiras respostas dadas em questionamento feito pelo relato da CPI, deputado Luiz Sergio (PT-RJ).

Integrantes da CPI da Petrobrás desembarcaram em Curitiba para ouvir os depoimentos de 13 acusados de envolvimento no esquema de cartel e corrupção na Petrobrás, que estão presos. Entre eles os ex-deputados André Vargas (ex-PT, hoje sem partido), Pedro Corrêa (PP) e Luiz Argolo (ex-PP, hoje no SD).

Youssef é o primeiro a ser ouvido nesta manhã de segunda-feira, por um grupo de 14 deputados federais da comissão, que tem audiências marcadas até esta terça-feira.

Estão marcados para hoje os depoimentos do ex-diretor de Internacional Nestor Cerveró e do lobista Fernando Antônio Falcão Soares, o Fernando Baiano ligados ao PMDB no esquema de loteamento político na estatal, que envolvia ainda PT e PP. de Mário Góes, de Guilherme Esteves e de Adir Assad, outros três lobistas acusados de operarem propina na Diretoria de Serviços, que era cota do PT,  também estão nessa lista.

Nesta terça, 12, serão ouvidos os depoimentos dos ex-deputados. Eles estão na carceragem do Centro Médico Prisional, na Região Metropolitana de Curitiba. Os interrogatórios serão realizados no auditório da Justiça Federal, em Curitiba. Um grupo de 14 deputados já estão na capital paranaense para início dos interrogatórios.