Política

Eduardo Bolsonaro avalia que pai “não vai se livrar de condenação” e que se perder capital político “já era”

Político se licenciou de mandato para trabalhar por narrativa de que ex-presidente é perseguido político

Político vai morar nos EUA
Político vai morar nos EUA Foto : Vinicius Loures / Agência Câmara / CP

O deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL) considera que “não há mais saída” e que seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), será condenado. A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decide nesta terça-feira, se torna Bolsonaro réu no caso da tentativa de golpe de Estado - ele também é investigado no caso das joias e da falsificação dos cartões de vacina.

"Eu já não acredito mais que exista saída, não só para Jair Bolsonaro, mas para todas as pessoas simples que estão sendo condenadas a até 17 anos de cadeia por conta do 8 de Janeiro. Você pode botar o Ruy Barbosa para advogar a favor do Bolsonaro, que ele não vai se livrar de uma condenação”, relatou o político, que participou por videoconferência do podcast Inteligência Ltda, nesta segunda-feira.

Bolsonaro e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), estavam presencialmente no estúdio. Eduardo se licenciou do mandato para morar nos Estados Unidos e se dedicar integralmente à narrativa de perseguição política ao seu pai; que envolve convencer autoridades norte-americanas a punirem o ministro do STF, Alexandre de Moraes e trabalhar pela anistia dos condenados pelo 8 de Janeiro. “Com isso em mente, eu sigo o exemplo do Trump: ele já sabia desse jogo de cartas marcadas e apostou tudo na política. Levar a voz dele ao maior número de pessoas possível. Se o Bolsonaro perder o capital político dele, já era, o Alexandre de Moraes vai trancafiar ele na cadeia e jogar a chave fora”, disse o deputado licenciado. “O meu principal objetivo hoje é brecar um psicopata chamado Alexandre de Moraes”, concluiu.

No programa, Bolsonaro voltou a reclamar da delação do tenente-coronel Mauro Cid, uma dos elementos da denúncia da PGR contra ele, e disse que ela é ilegal porque Moraes ameaçou seu ex-ajudante de ordens. Ele afirmou ainda que neste primeiro momento sua defesa vai focar em aspectos técnico do processo e argumentar que a ação deveria começar a tramitar em primeira instância ou, se mantida no STF, julgada pelo plenário e não pela Primeira Turma.

A PGR pede que o ex-presidente seja condenado por organização criminosa (pena de 3 a 8 anos, podendo chegar a 17 com agravantes citados na denúncia), abolição violenta do Estado Democrático de Direito (pena de 4 a 8 anos), golpe de Estado (pena de 4 a 12 anos), dano qualificado com uso de violência e grave ameaça (pena de 6 meses a 3 anos) e deterioração de patrimônio tombado (pena de 1 a 3 anos).