Política

Eduardo Bolsonaro pede a Motta para exercer mandato dos EUA

Parlamentar citou a pandemia de covid-19 como um "precedente claro" para o trabalho remoto

Solicitação surge em um contexto de tensão política
Solicitação surge em um contexto de tensão política Foto : Vinicius Loures/Câmara dos Deputados/CP

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que está nos Estados Unidos desde o início de 2025, solicitou ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), a permissão para exercer seu mandato à distância. No ofício, Eduardo justifica sua permanência no país alegando estar realizando "diplomacia parlamentar" e citou a pandemia de covid-19 como um "precedente claro" para o trabalho remoto. "Não se pode admitir que o que foi assegurado em tempos de crise sanitária deixe de sê-lo em um momento de crise institucional ainda mais profunda", afirmou.

A solicitação surge em um contexto de tensão política. Em março, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro anunciou que buscaria "sanções aos violadores dos direitos humanos" no Brasil, em referência ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e outras autoridades. Recentemente, ele e seu pai foram indiciados pela Polícia Federal pelos crimes de tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito e coação no curso do processo, com a investigação apontando que Eduardo estimulou sanções contra o Brasil para influenciar a situação legal do pai.

Participação remota, críticas e processo de cassação

Embora tenha participado à distância de uma subcomissão da Câmara no dia 27, a ideia de um "mandato à distância" é rechaçada pelo presidente da Casa. Hugo Motta já declarou que não há previsão regimental para tal prática e expressou publicamente seu desacordo com parlamentares que atuam para impor sanções contra o próprio país. "Eu não posso concordar com a atitude de um parlamentar que está fora do País, trabalhando muitas vezes para que medidas cheguem ao seu País de origem e que tragam danos à economia do País", disse Motta.

A postura de Eduardo Bolsonaro tem gerado repercussões. Um processo de cassação foi encaminhado por Motta ao Conselho de Ética da Câmara no dia 15. O presidente da Casa também minimizou as ameaças de Eduardo, que, em mais de uma ocasião, insinuou que Motta poderia ser alvo de sanções caso não pautasse um projeto de anistia para os réus dos atos de 8 de janeiro.